Bom dia
Me enviaram um print de um grupo de whatsapp em que o sujeito comenta sobre algo que eu disse aqui, afirmando que "o cara disse que a quatro rodas e a altopapo mudaram de opinião quando leram o artigo dele. A quatro rodas eu não sei, mas até hoje a altopapo nunca disse que a Frontier usa multilink na suspensão traseira.", e continua... "o cara quer saber mais que o Boris que é engenheiro especializado, o altopapo está certo, essa suspensão da Frontier nunca foi multilink".
É impressionante como a ignorância das pessoas só aumenta com o tempo. Mas, não me custa explicar isso novamente.
Essa suspensão multilink da Frontier chegou aqui em 2017 no modelo, e se chama multilink por ser fixada por vários braços, ou seja, multi-braços. Posteriormente, a pesada e grandona Toyota Tundra adotou essa suspensão, a RAM também usa, o Jeep Gladiator e outros modelos. A Ford, por vários anos, levantou a possibilidade de equipar a Ranger com essa suspensão, mas acabou optando pela redução de custos e colocou esse conceito da Frontier somente na Ranger Raptor, a picape "valente e bruta que encara os mais difíceis desafios", como ela gosta de referir ao modelo. Claramente, ela optou pela suspensão traseira de feixe de molas nas versões mais baratas por uma questão de custo somente, não tecnológica.
Eu escrevi no meu site um artigo onde eu mostro o conceito de suspensão multilink, as patentes do modelo e os desenvolvimentos realizados para uso com o eixo rígido (isso tem décadas de desenvolvimento). Até a Wikipédia, para aqueles que não gostam de ler "textões" ou não conseguem interpretar artigos técnicos, traz a definição do conceito de suspensão multilink, e diz claramente:
"A suspensão multibraço ou multilink é um tipo de suspensão automotiva que caracteriza-se pela utilização de três ou mais "braços" que ligam o chassi do veículo ao seu eixo."
e a Wikipedia continua:
"Também pode ser usada com o sistema de eixo rígido, oferecendo vantagens sobre o sistema convencional."
e para matar de vez qualquer argumento contrário, a Wikipedia fornece até um desenho desse conceito:
https://upload.wikimedia.org/wikiped...k_rigid_03.gif
Multi-link com eixo rígido
Titulo invalido – Wikipedia, a enciclopedia livre.
O que aconteceu aqui no Brasil, por falta de conhecimento dos "engenheiros especializados" e dos sites desatualizados, foi uma confusão de conceitos, onde se acreditava que suspensão multilink fosse a mesma coisa que suspensão independente. No meu artigo publicado no clubedanissanfrontier.com.br eu mostro bem a diferença entre as patentes e os conceitos tecnológicos envolvidos, onde claramente podemos ver que toda suspensão independente é multilink, mas nem toda suspensão multilink é independente, como nesse caso. São conceitos distintos.
O fato é que lá fora não existe essa confusão, e esse entendimento é pacífico, mas, no Brasil, para não variar, a ignorância se faz mais presente em diversos ramos tecnológicos ou não.
Naquela oportunidade, tanto a revista Quatro-Rodas como o site AutoPapo (é assim que se escreve colega) questionaram a nomenclatura adotada pela Nissan, e eu encaminhei para eles o link do meu site com o artigo em questão. A Quatro-Rodas se retratou e criou um artigo específico da suspensão da Frontier dizendo tratar-se realmente um sistema multilink (o artigo está indicado no meu site), já o site AutoPapo preferiu me criticar por algum tempo, mas depois acabou compreendendo a ideia e passou a usar o termo multilink de forma discreta, sem admitir publicamente o erro. Essas referências estão todas no meu site, inclusive um print de uma tela onde o site AutoPapo, logo no começo da confusão, chamou a suspensão da Frontier de multilink e alterou depois que apontei o fato, mas consegui registrar a tela a tempo antes da alteração.
Então, o sujeito que nem sabe escrever o nome do site ao qual se refere, diz que o AutoPapo nunca disse que a suspensão da Frontier era multilink, ao contrário da mentira que eu contei... pois bem... só para dar um exemplo, vejam este link:
Nissan Frontier S, versao de entrada da picape, chega as concessionarias , onde o site AutoPapo apresenta mais uma versão da nova Frontier, e diz que:
"A suspensão traseira segue com sistema multilink e molas helicoidais que trabalha em conjunto com um eixo rígido."
Uau!!! Repetiram exatamente o que está no meu site.
Eu até entendo que algumas pessoas têm problemas de interpretação de textos, como já cansamos de ver, mas me parece que esta afirmação publicada no referido site do "ilustre engenheiro" é bem clara até para uma ameba.
Portanto, está lá, no site da AutoPapo a afirmação de que a suspensão da Frontier é multilink, ou seja, o último site que negava isso se rendeu à verdade, finalmente!
Eu já tive diversas discussões com o tal "engenheiro especializado", e desisti de ter qualquer debate técnico sério com ele. A nossa última discussão foi sobre uma afirmação que ele fez de que os freios a disco nas quatro rodas usados pela Frontier eram bobagens, pois 70% de toda a carga numa frenagem era concentrada no eixo da frente da caminhonete, e por essa razão não fazia sentido colocar freios a disco nas quatro rodas, como, aliás, antes da Frontier somente a Amarok cometia essa "bobagem", termo que ele usou comigo.
Por falta de atualização, ele cometeu mais esse erro.
Primeiro, sabemos que hoje os sistemas de controle de estabilidade usam a frenagem das rodas para controlar o veículo, e que os freios à disco são bem mais precisos nesta função. Ou seja, além da questão da frenagem, os freios traseiros hoje participam da dinâmica de controle do carro, coisa que talvez ele tenha perdido na história da tecnologia automotiva. Além disso, a Frontier é a única picape hoje a adotar o controle de estabilidade de terceira geração, que se beneficia de um ajuste mais preciso da frenagem, lembrando que o sistema de freio à tambor sofre mais fadiga térmica e pode reduzir a eficiência do sistema.
Segundo, que o nosso amigo "engenheiro" pode ter perdido algumas aulas na faculdade, e não conseguiu aplicar o conceito de vetores de forças para analisar o fato de que a Frontier é uma caminhonete, e pode transportar mais de 1.000kg na caçamba, o que muda toda a distribuição de forças numa frenagem. Nesta condição, os freios à disco na traseira exercem um papel importante de segurança. Vamos recordar que a Ford também adotou os freios a disco nas quatro rodas da Ranger, porém não nas versões mais baratas, novamente por razões de custo penalizando quem não pode adquirir as versões "de luxo".
É por isso que sempre dizemos que a Frontier é hoje o modelo mais tecnológico, pois apesar de não ter uma tela multimídia "grandona" chinesa que funciona quando quer, ela adota conceitos tecnológicos importantes como suspensão multilink, freios a disco nas quatro rodas, controle de estabilidade de terceira geração e outras funções tecnológicas em todas as suas versões, enquanto que algumas marcas só colocam isso no modelo mais caro, e que se dane quem não pode pagar meio milhão.
Para reforçar o que eu estou dizendo, remeto ao artigo que segue:
Toyota Hilux SRX Plus: o que voce deve saber antes de comprar uma | Mobiauto
Atentem ao comentário do artigo:
"Tivemos que eleger como primeiro ponto positivo da Hilux SRX Plus sua suspensão, já que de fato é o maior destaque da picape – e que poderia muito bem ser utilizada em toda a linha se não fosse pelo fato de ser um conjunto mais refinado, o que certamente aumentaria muito o preço da caminhonete desde a versão de entrada."
Vejam que os fabricantes não atualizam as suas tecnologias por uma questão de custo, buscando maximizar os seus lucros mesmo abrindo mão da segurança. Ou seja, quem puder pagar pelo modelo mais caro, vai ter mais segurança, quem não puder pagar, que capote e morra.
Quando falamos em tecnologia, devemos nos atentar à isso, ao que de fato interessa. Tecnologia é uma coisa, frescuras como forma de enganação é outra. E o que vemos de verdadeiro é que a Nissan incorpora em todos as versões da Frontier tecnologias que concorrentes só colocam em versões mais caras e até como opcional nestas versões, para quem possa dispender de muito dinheiro, o que não é a maioria.
Desmerecer o multilink foi mais uma tentativa de alguns para tentar justificar porque a sua picape preferida não adota o sistema. Aqui mesmo, neste fórum, alguns chegaram a usar estes conceitos equivocados das duas publicações para tentar desmerecer a Frontier, como sempre fazem, aliás, sem nunca se retratarem depois.
Aliás, tenho certeza que o cidadão que fez o comentário acima no grupo de whatsapp não terá a hombridade de assumir aqui que ele foi o autor do comentário, e se desculpar pelo "erro". Sei que não vai, porque todas as bobagens ditas são convenientemente esquecidas depois, eu poderia enumerar várias aqui.
Ao invés de perderem tempo tentando mostrar que eu estou errado em alguma firmação, eu vou dar uma dica importante: Informem-se, estudem mais, leiam mais. Parem de ficar reclamando de "textão" e procurem absorver conhecimento. Se a preguiça não te der o ânimo necessário para isso, então aproveite ainda mais essa pouca vontade de fazer algo e evite escrever bobagens.
Espero que essa postagem tenha sido compreendida, evitando que gente estúpida venha me chamar de "guru" ou de "sabe-tudo", porque tudo o que eu disse está amplamente divulgado em textos sérios, não são invenções de um "gênio". De qualquer forma, o artigo completo sobre o tema multilink encontra-se no meu site, com muito mais informações detalhadas, para quem quiser ou souber ler e interpretá-lo.