Neste último domingo depois do almoço, eu saí com o meu filho para resolvermos algumas coisas, e pegamos um longo trecho de rodovia. No caminho de ida, fomos conversando sobre o motor da Frontier, do porque só com 190 cavalos ela andava mais que outros com mais cavalos ou bem próximo.
Acho que todo mundo sabe que eu sempre fui apaixonado por velocidade, sempre tive carros esportivos de alto desempenho, e quando digo alto desempenho não me refiro a essa coisa de aceleração de 0 a 100 em 9, 10 ou 11 segundos. Isso na prática, para uma caminhonete, não diz absolutamente nada, pois sabemos que em razão da curva de torque, muitas saem rápido, mas basta um inclinação positiva na pista, colocar 5 pessoas dentro ou uns 300 kg de peso na caçamba, que todo o desempenho delas acaba ali, ao contrário da Frontier que mantém o mesma força independente do desafio que ela encara.
Além disso, tem a questão da economia, onde andando forte, a Frontier mantém médias de consumo rodoviário acima de 10 km/l, enquanto já se comentou aqui que algumas caem fácil para 5,5 km/l.
Eu não era o piloto que só acelerava, eu costumava entender o carro, e tive amigos pilotos que tiveram a paciência de me ensinar muitas coisas. Meu filho já é mais o estilo pisar fundo e ver o que acontece...kkkkk....
Eu estava ensinado pra ele um pouco sobre a mecânica que existe em torno disso, e comentei com ele que o motor biturbo da Frontier é simplesmente genial, ao fornecer uma curva de torque (força) tão generosa até em baixas rotações, e ele me questionou porque isso não se traduz em números muito melhores que as concorrentes, pois veículos biturbo costumam ter desempenho sempre mais generoso.
Picapes não foram feitas para desempenho esportivo, mesmo com motores mais potentes, elas equilibram trabalho, força, economia e durabilidade, que é o que se deveria priorizar numa caminhonete. E aí entra o ajuste do fabricante. Ele vai decidir qual a calibragem que ele vai dar a tudo isso.
A engenharia vai priorizar as características que ela acha mais adequadas para o seu mercado.
Essa coisa de modo "sport" numa caminhonete, como tem na Frontier e na Hilux, eu acho até sem sentido. E não é só motor, o problema é que o motor chama mais a atenção, tem mais apelo comercial na cabeça do consumidor, aí a Frontier mostra a vantagem de ter freios a disco nas quatro rodas, suspensão multilink, controle de estabilidade de alta tecnologia, etc... Porque não basta andar bem, tem que ter controle, não adianta acelerar rápido e na primeira dificuldade ficar sem controle da caminhonete e até capotar.
Mas, como eu disse, o consumidor alimenta esses absurdos quando diz que essa picape tem 190 cavalos e aquela tem 200 cavalos.
Ele não tem a menor noção daquilo que ele está comparando, mas no conceito limitado dele, a mais potente é a melhor.
Infelizmente é assim que acontece na cabeça deles.
Esses ajustes que a engenharia da montadora faz, como eu disse, é uma busca de equilíbrio para diversos aspectos, inclusive durabilidade. Já sabemos que tem picapes que estão abrindo o motor e estourando turbinas até bem antes dos 80.000 km. Veja que a Frontier oferece todo o torque do seu motor com apenas 1.500 giros, enquanto outras precisam fazer o motor funcionar a 2.500 ou 2.800 giros. Adivinhe qual vai consumir mais, qual vai dar mais problemas e qual vai durar menos. Não tem milagre, o desgaste é maior. O motor da Frontier mal sai da marcha lenta e já está te entregando muita força, você poupa motor, câmbio, combustível, etc.
Para mim, explicava para o meu filho, a Nissan fez um acerto mais conservador, mais comedido, pois esse motor tem muito mais para oferecer. Já vimos gente tirando 240 cavalos desse motor, ou mais, sem muito trabalho, mas pode ter certeza que existe algum sacrifício nisso.
No caminho de ida eu comentei com o meu filho que eu ia fazer um teste, dirigir a Frontier do jeito que eu quero, não do jeito que o fabricante decidiu ser o mais adequado. Para eliminar boa parte das limitações impostas pela fábrica (mas não todas) eu mudei o câmbio para modo manual sequencial e fui sentindo as curvas de potência e torque desse motor, como eu fazia com os esportivos. Eu fui conhecendo o comportamento do câmbio e a relação de giros com potência e torque, e explicando isso para o meu filho.
Fiz várias paradas, vários testes e tentei acertos diferentes, meus, não do fabricante.
Como eu disse, a Nissan ainda tem alguns ajustes das curvas do motor mesmo em modo manual, mas neste modo você consegue driblar muitos destes ajustes. Para conseguir total desempenho mesmo em manual, seriam necessários alguns ajustes no mapeamento do motor, mas como eu já disse, não acho que seja a proposta de um carro desses.
No retorno ao sítio, mais à tarde, eu disse pra ele que ali faríamos os testes de fogo de verdade, já eu tendo absorvido melhor as características deste motor. Meu filho me deu assistência, certificando-se com um aplicativo que a pista estava bem plana, e usando um aplicativo para as medições. Confesso que não fui tão meticuloso como o nosso querido amigo Edu, que faz vários ajustes de carga, combustível, pneus, etc... Também não usei o "modo Sport", porque aqui ele simplesmente não serve para nada. Só desliguei mesmo o controle de estabilidade que poderia afetar algumas coisa, mas isso eu ainda vou confirmar. Tudo com segurança, OK? Porque mesmo com o controle de estabilidade desligado ela oferece uma segurança muito grande.
Fizemos algumas leituras buscando o melhor tempo, e não foram tantas assim porque o trânsito também não ajudava muito.
Outro coisa a mencionar... estávamos com 150 quilos de peso aproximadamente na caçamba. Talvez até um pouco mais. Mas, com essa curva de torque da Frontier, não acho que isso influenciou muito, ou mesmo, não influenciou nada.
Eu vejo o pessoal falando muito da S10, com tempos de aceleração em média de 10,1 e 10,6 segundos para chegar a 100 km/h, estou falando do modelo atual, 2022... 2023... que o pessoal diz que ficou mais fraca que a anterior que "fazia 9,5 segundos"... uau... que diferença, da água para o vinho....kkkkk.... Mas tem gente que vai até no youtube provar isso... aliás... provar sei lá o que... porque isso não prova absolutamente nada.
Então, meu queridos amigos, com a ajuda do meu filho e do prestativo Edu, forneço os prints de tela do aplicativo de medição:
https://clubedanissanfrontier.com.br...cao-1-ciro.jpg https://clubedanissanfrontier.com.br...cao-2-ciro.jpg
Tempo médio em 9,5 segundos. Uau... olha só.... "a S10 parece uma tartaruga, levou uma surra da Frontier". Antes que alguém diga isso, já vou antecipando que essas diferenças na prática não dizem absolutamente nada. Repito: Nada!!!
Se uma fizesse em 9 segundos e a outra em 10,5 segundos, ainda assim isso não desmerece qualquer uma das duas.
Então porque eu fiz estes teste? Só para mostrar pra vocês que esse motor é muito bom, pode oferecer muito mais até do que isso, mas cada fabricante faz a sua opção, escolhe a característica que deseja num carro.
Eu ainda percebi uma possibilidade de melhora nas mudanças de 3ª e 4ª marchas, lembrando que ela tem 7 marchas, e vou provar um outra oportunidade que dá pra fazer em 9 segundos.
"Que legal!!!!" Legal nada, meus amigos. Novamente, isso tem pouco valor prático. Num carro esportivo, reduzir 1 segundo em 5 ou 6 segundos sim, é uma diferença sensível que pode mudar toda a brincadeira.
Mas, numa picape... duas saírem rasgando do semáforo e uma chegar um ou um segundo e meio antes da outra a 100 km/h, é uma comemoração sem sentido, porque na prática, isso não vai mudar a vida de ninguém. É mais para alimentar um ego pobre demais, pois os dois estão muito, mas muito longe de um desempenho esportivo, e ainda bem, eu digo, porque algumas mal conseguem ter alguma estabilidade usando de modo comedido, quanto mais querendo fazer graça... kkk.....
Neste final de semana eu vou fazer novos testes e depois vou colocar aqui pra vocês uma tabelinha com as trocas de marchas e os giros para atender esse resultado, e vocês simulam aí e me contam depois.
Já vi amigos anunciando que fizeram em 8,5 segundos ou pouco mais. Não vou duvidar de ninguém, porque sei que até é possível, mas aí tem que ser uma forma de condução mais competitiva, e é esse o limite que eu quero achar, e, novamente, não da Frontier, que ela já anda muito bem, mas do motor, apesar que senti limitações propositais no motor e por isso quero driblar isso.
Alguém vai andar assim com ela? Não!! É trabalhoso. Alguém vai querer comparar o modo "normal" de outro modelo com ela? Não!! Porque é perigoso. Algumas nem foram feitas para andar forte, apesar do marketing que enfiam na cabecinha do consumidor.
Vão se matar como vemos todos os dias. Antão, meninos, não façam isso em casa... ops... melhor... na estrada.... kkkkkk....