Bom dia, pessoal.
Deixa eu complementar com mais precisão esse assunto.
Ontem estive na concessionária de Jundiaí. Passei o dia lá.
Como sempre faço, já troco os pneus pneus da caminhonete nova logo que compro. Não gosto dos pneus originais, e os da Platinum são bem "cidade". Então levei a caminhonete ontem para trocar os pneus e instalar a capota marítima que tinha atrasado.
Essa concessionária é a mesma que o amigo Bigsd frequenta. Mas ele é da cidade, e eu vou porque não tem concessionária Nissan na minha cidade, e as opções são Jundiaí ou Campinas. Tem uma Nissan quase do lado da empresa em Itu, mas criamos uma amizade tão boa em Jundiaí que prefiro até perder um dia (na realidade me dou uma folga :mrgreen:).
Conheço desde o mecânico da oficina até o diretor da unidade, uma grande amizade criada ao longo de 5 caminhonetes já compradas lá. Com todas as revisões feitas rigorosamente na concessionária, já sou da casa.
Conversamos bastante ontem, e a situação é a seguinte...
Quando falamos aqui em espera, nos referimos à pessoa jurídica, que é a forma que acho que a maioria aqui, pelo menos aqueles com quem tenho mais contato, compra os carros. Eu normalmente compro em nome da empresa, mas por outra razão... levo multas demais... confesso :mrgreen:. Prefiro pagar em dobro do que ficar sem habilitação.
Não é irresponsabilidade, mas uma picape dessa, super estável, pesada, nova... tem horas que passamos dos 100 ou 110km/h mesmo com todo o cuidado.
Mas desta vez não foi o caso e depois explico.
Ontem confirmei... a espera nessa modalidade de compra está em 150 dias. Sorte das concorrentes que estão com espera de no máximo 30 dias quando não estão sobrando nos pátios.
Isso se deve a falta de peças na produção da fábrica na Argentina.
Para particular, tem pronta entrega, porque?
Primeiro, com a produção reduzida, a Nissan tenta otimizar os lucros, e então coloca no mercado as versões mais completas, ou seja, as mais caras. Assim, apesar de ter sido lançada na Argentina em 6 versões, a S, a SE, a Attack, a XE, a Platinum e a PRO-4X (pronuncia-se "pró-fór-éx"), a maioria das unidades que chegaram aqui foram Platinum e PRO, a algumas Attack. As demais não foram disponibilizadas. Nem a XE e a SE que a imprensa anunciou esta semana estão disponíveis ainda.
Segundo, como trata-se de um lançamento, é normal os fabricantes colocarem os modelos mais completos no mercado primeiro, justamente para criar um impacto maior no lançamento.
Imagine você indo na concessionária para conhecer o novo modelo e encontra uma versão básica de entrada sem todas as novidades do lançamento... vai parecer mais do mesmo, e a Nissan investe muito em coisas que não são visíveis (nada de snorkel fake, por exemplo :mrgreen:)
Por conta disso, as versões mais básicas ficaram com longas filas.
A minha encomendei como PJ, mas no final, depois de uma confusão que teve, acabei pegando como física mesmo para não ter que esperar mais. E olha que encomendei a minha já no lançamento, mas eu queria a prata, e só tinha a cinza e preto.
O cinza era cor de lançamento, dava ideia de algo novo, e o preto sempre chama a atenção na loja por ser realmente uma das cores mais bonitas (enquanto não pega pó :mrgreen:).
Então as unidades que chegavam eram direcionadas para venda particular. Em Jundiaí chegaram apenas 6 unidades até agora, com a minha. Tem uma só que ainda aguarda aprovação de financiamento, mas a entrega deve se normalizar.
Por enquanto, a prioridade são as lojas, porque a caminhonete pode ser exposta para outros clientes poderem ver.
É essa a razão porque existem unidades à venda nas lojas, e falta para produtor e CNPJ, lembrando que é esse público que ainda compra mais caminhonetes hoje. E por 320 mil a Platinum, convenhamos, muita gente prefere esperar os descontos ou as versões mais básicas, como a SE e a XE que vão chegar agora. Eu mesmo considerava a XE a versão mais interessante, mas dessa vez fui de Platinum.
Precisamos lembrar também que, por esse preço e por razões culturais, nesse valor muita gente prefere o conservadorismo de alguns modelos, mesmo que ultrapassados e com fama de perigosos, mas cada um sabe da sua prioridade. Eu tenho respeito por quem anda na minha barca :mrgreen:.
Mas como foi dito aqui, e eu concordo, haverá uma inércia muito grande a ser vencida até ocorrer um amadurecimento do mercado. Depois reclamam que não somos respeitados... oras... nós não nos respeitamos.
Um fabricante chuta o Brasil, gera desempregos, crises econômicas locais, depois de pegar incentivos e empréstimos milionários, fecha uma fábrica de jipes que comprou somente para obter mais benefícios públicos, nega que iria fazer tudo isso e faz (ou seja... mentiu descaradamente), abandona os defeitos crônicos graves de seus veículos, deixa seus modelos sem peças, não faz nada para salvar as concessionárias falindo... e tem gente comprando veículos da marca.
Outra vende modelos obsoletos, que matam pela falta de segurança e ganha até apelidos pela facilidade de capotar, que lança carros (mundiais) que lá fora tem freio elétrico, suspensão multilink, e aqui chegam sem tudo isso e com uma "marmita" aparecendo atrás que pinda de preto para disfarçar e descasca tudo em dois meses...
Então por isso eu digo que tem essa coisa cultural... se não nos dermos respeito e termos um pouco de dignidade, os fabricantes vão continuar agindo assim. O consumidor diz que tá bom assim...
Essas montadoras já tem multilink e motores biturbo lá fora, mas aqui não disponibilizam, preferindo ver os consumidores se matando, sofrendo com a falta de conforto e com motores antigos e ultrapassados cheios de gambiarras.
Essa inércia, honestamente... nem sei se será realmente vencida um dia. Hoje já vendem leite condensado feito com amido e as pessoas acham isso normal, ou cerveja de milho, como diz o Ciro :lol:
Somente o consumidor pode mudar isso, mas ele parece apático diante desses abusos.
Vamos esperar e ver o que vai acontecer. Eu já não aposto em mais nada.
Eu falava que uma montadora aqui ia fechar as fábricas anos antes disso acontecer, e me chamaram de louco. Chagaram a dizer que a Nissan fecharia as fábricas, acreditando nas palavras de um ex-dirigente da empresa foragido da Justiça... que disse que somente as grandes sobreviveriam... foi o contrário...
Vamos esperar pra ver...