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Tópico: Desarmamento...

  • #205



    Esse é meu medo, acredito que ja estão fazendo nas estatíscas que é uma coisa muito facil......

    Todo mundo q eu conheço vai votar nâo, inclusive a minha irmã... Mas tbm to com medo de simplismente roubarem o resultado do plebiscito, já estâo manipulando estatísticas pra preparar terreno, e esse negócio de q urna eletrônica é confiável, tá bom, nesse paiseco vagabundo nada é confiável, ainda mais sob o terrorismo petista.

  • #206
    A urna eletrônica é um baita avanço nas eleições e serve de exemplo pra outros países agora manipular dados eletrônicos é bem fácil se não houver uma auditoria séria e independente do governo, hj duvido que o voto seja secreto afinal o número do seu titulo de eleitor é digitado na urna antes de vc votar só um flagzinho já é o suficiente para associar o seu número à sua escolha.

  • #207
    se não houver uma auditoria séria e independente do governo
    Cara, as palavras "séria" e "independente" nâo combinam com "governo" no bra$il . Sinceramente acho que uma boa parcela de urnas eletronicas sâo adulteradas, pois afinal de contas, não existe nenhum comprovante de como foi o seu voto. Basta uma urna estar programada pra registar sim seja qual for a opção digitada... ninguém vai chamar todos os eleitores de uma seçâo e perguntar como eles votaram para fazer a comparação dos dados. To sentindo cheiro de pizza podre no ar com esse plebiscito... Se o governo comprou a eleiçâo da camara dos deputados na cara dura, depois de tudo q aconteceu e com o objetivo claro de travar as investigações... e o TSE e o ministério público não fazem nada! Eu naõ acredito mais em nada nesse paí$eco. O futuro disso aqui é virar uma bolívia gigantesca. Se esse Lulladrâo se reeleger ou conseguir emplacar algum comunista maldito eu vazo dessa droga de "paí$" sem olhar pra trás.

  • #208
    Na enquete do ig também tá dando o NÃO:

    Sim 26% (701)
    Não 74%(1986)
    Total de votos: 2687

    No site do Estadão, o NÃO ganhou a enquete.

    Só na Globo e nesse tal instituto de pesquisa Ipsos é que o SIM ganha...

  • #209
    Mas nem no site da Globo tá dando sim:

    RESULTADO PARCIAL:
    Não 61,1%
    Sim 38,9%

    2581 votos até agora

    Nova campanha: não consuma nenhum produto anunciado na Globo.

  • #210
    Ué..... mas no Jornal Nacional deu mais de 80% sim...... isso eu vi.....

  • #211
    Mais uma notícia mostrando q desarmamento nâo adianta nada e q quem quer matar mata de qualquer jeito:

    "Mais de 50 policiais civis e militares do Norte do Piauí procuram o maníaco que matou e violentou na noite de ontem a dona de casa Francisca de Assis Quina, 52 anos e o marido dela, o lavrador Raimundo Félix Rebelo, 65 anos. O duplo homicídio seguido de necrofilia - relação sexual com cadáveres - ocorreu por volta das 20h de domingo na residência do casal, em Barras, a 113 quilômetros ao Norte de Teresina. O autor do crime não foi identificado.
    Francisca de Assis e Raimundo Félix eram casados e moravam sozinhos na residência, localizada em uma área afastada. No início da noite deste domingo o lavrador havia se ausentado para visitar amigos.

    Ao entrar na residência Raimundo foi surpreendido pelo assassino que o matou a pauladas. Raimundo teve a cabeça esmagada. Após o assassinato do lavrador o maníaco estrangulou Francisca de Assis e levou o cadáver para o lado de fora da residência.

    Populares da cidade de Barras se juntaram à polícia e dizem que farão justiça com as próprias mãos caso consigam pegar o necrófilo. Esse é o segundo crime em menos de dois meses na cidade de Barras, onde casais foram assassinados. O delegado da cidade disse que ainda é cedo para relacionar a autoria dos dois duplos assassinatos. "

    e ainda falam pra populaçâo ser "da paz"

    Nova campanha: não consuma nenhum produto anunciado na Globo.
    Bela campanha cara! Só nâo vou aderir pq daí eu ia ter que assistir essa emissora vagabunda pra saber quais produtos boicotar, por isso to boicotando todos os produtos da globo mesmo. Nâo compro mais nada que tenha aquele selo Organizaçôes (criminosas) Globo.

  • #212
    Usuário Avatar de jeepbruno
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    TRAFICANTES FAZEM COMITÊ PELO "SIM"!!!

    REPASSANDO, O ABSURDO .... e assim a adesão está aumentando...



    TRAFICANTES FAZEM COMITÊ PELO "SIM"!!!



    29/09/2005 5:53 PM
    Traficantes do RJ na campanha pelo SIM

    Daniel Pereira Campos, mais conhecido como "Xaxim", líder do tráfico de drogas
    do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, organizou um comitê paralelo para
    fazer campanha no referendo sobre o desarmamento que ocorrerá no dia 23 de
    outubro próximo. Surpreendentemente, o movimento não está defendendo o "Não",
    que na prática rejeita a lei que proibiria a venda de armas de fogo e munição no
    Brasil. Eles estão fazendo campanha intensiva pelo "Sim". Os traficantes desejam
    que a venda de armas seja proibida.
    Por intermédio de líderes comunitários, a mensagem que os "donos do poder no
    morro" passam para os moradores é clara: todos devem votar "Sim" ao
    desarmamento, para garantir a sua própria segurança.
    Bancada pelos traficantes, a associação dos moradores confeccionou mais de 3
    mil camisetas e 10 mil adesivos, tudo distribuído no morro. Segundo um dos
    moradores, que não quis se identificar, quem tem o adesivo colado na porta de
    sua casa aumenta o conceito com os "patrões". Qualquer material promocional ou
    discurso a favor do "Não" está proibido nas suas áreas de influência. "Quem
    fizer campanha contra o desarmamento aqui, vai levar chumbo", advertem os
    traficantes.
    Até mesmo os comerciantes com estabelecimentos próximos a favela, que já pagam
    uma "taxa de segurança" para os traficantes, foram convidados a se engajar pelo
    "Sim" na campanha do desarmamento.

    Marcelo Coelho, analista de marketing político e coordenador de um grupo que é
    contra a venda de armas e também faz campanha pelo "Sim", não aprecia nem um
    pouco o "reforço" dos traficantes lutando pela sua causa: "É o tipo de coisa que
    não precisamos e não faz o menor sentido. Como seria possível eles serem a favor
    do desarmamento?"
    Para saber se tal influência está ocorrendo em outras comunidades dominadas
    pelo tráfico, foi realizada uma pesquisa informal, entrevistando cerca de 530
    moradores em diversas favelas: 2 por cento disse que votaria "Não", 12 por cento
    "Sim" e o restante, 86 por cento, não soube ou não quis opinar, provavelmente
    respeitando a "lei do silêncio" que impera nestes locais.
    Toyota Land Cruiser FZJ-105 2004 4.5 DOHC 24V 1FZ-FE.

  • #213
    Moderador Avatar de Luiz Claudio
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    Miniaturas de Anexos Miniaturas de Anexos Desarmamento...-desarmamento_129.jpg  

  • #214
    Recebi este texto por email, não sei a veracidade:

    =============================
    A história em questão pode até não ser verídica, mais casos como esse são comuns no Brasil.

    Certa vez estava eu minha mãe e minha irmã estavamos em casa, minha mãe me chamou pois o cachorro estava latindo muito e parecia que havia alguém escondido no quintal fui ver e vi um homem deitado no mato escondido, fingi que não vi e voltei para dentro de casa para pegar a arma.

    Quando fui para fora o homem estava correndo para o portão, meti os dois canos de uma calibre 28 na sua cara, foi quando vi que se tratava de um mendigo com problemas mentais e mandei que ele sumisse dali. Agora pensem se fosse alguém mal intencionado e eu não estivesse armado, estaria minha mãe e irmã a mercê de um maldito desses. Se eu tivesse visto que se tratava de um marginal, não pensaria duas vezes em manda-lo para vala.

    Adoraria viver em um país onde se pode contar com a polícia e ações deste tipo não são necessárias, infelizmente não é o que acontece.

    Abraços,

  • #215
    Usuário Avatar de bruno_
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    Mas a Época (editora globo) não deixou barato e fez uma reportagem sobre o assunto que de forma sutil apoiou o desarmamento!!!
    E o mais interessante é que a revista veio de graça (não sou assinante) como um presente da Intelig Telecom


    http://revistaepoca.globo.com/Epoca/...9-1653,00.html
    Confira e participe de todos os preparativos para o 3º Encontro Nacional de Rural e F75/F85 no link abaixo
    http://www.ruralef75.com.br/

  • #216
    O que segue é um excelente artigo.

    Revista Veja defende o NÃO
    http://veja.abril.uol.com.br/051005/p_076.htm

    Especial
    Referendo da fumaça

    7 razões para votar "não" na consulta
    que pretende desarmar a população e
    fortalecer o contrabando de armas
    e o arsenal dos bandidos

    Jaime Klintowitz

    Nas páginas seguintes, VEJA alinha sete razões pelas quais julga correto votar NÃO no referendo sobre o comércio de armas de fogo convocado para o próximo dia 23. O voto no referendo é obrigatório, como nas eleições. O Estado brasileiro vai fazer a seguinte pergunta aos cidadãos: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". VEJA acredita que a atitude que melhor serve aos interesses dos seus leitores e do país é incentivar a rejeição da proposta de proibição. O sucesso de uma consulta popular deriva, antes de mais nada, da correção e da honestidade da questão a ser respondida pelos cidadãos. A pergunta que será feita no referendo das armas é um disparate. Ela ilude o eleitor. É uma trapaça, pois, mesmo que o SIM vença por larga margem, "o comércio de armas de fogo e munição" no Brasil vai continuar sendo exercido com todo o ímpeto pelo contrabando em nossas porosas fronteiras e pelos eficientes agentes do mercado negro – alimentado em grande parte pelas próprias autoridades policiais encarregadas de desbaratá-lo.

    A Suíça, país que praticamente é governado por referendos – já fez 531 desde 1848 –, tem como premissa básica de uma consulta popular que seu resultado seja impositivo. O que isso significa? Significa que não se pode correr o risco de a escolha produzida por meio de um referendo não ter efeito prático imediato, pois nesse caso se está desmoralizando o próprio povo, e não alguns poucos parlamentares eleitos para fazer leis em seu lugar. O povo não pode ser exposto ao ridículo. Por essa razão, os suíços aprenderam a não submeter a consultas populares questões cuja efetivação dependa da concordância de outros países, grupos de interesse capazes de tornar o voto popular inócuo. Para funcionar, o referendo da proibição do comércio de armas no Brasil precisa da concordância de outros países (que vendem armas ilegalmente aos bandidos brasileiros) e de grupos particulares de interesse (os criminosos e seus asseclas na polícia). Certo como os impostos e a morte, os vendedores ilegais de armas continuarão alimentando o arsenal dos bandidos com equipamentos de destruição cada dia mais poderosos.


    Os suíços veteraníssimos dos referendos aprenderam também a não pedir ao povo para votar em questões complexas, que exijam competência técnica e estudos detalhados para saber o que é certo ou errado. Essa lição ajuda a iluminar outro erro estrutural do referendo das armas a ser proposto no Brasil. A pergunta "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" esconde uma enorme complexidade. Pedir às pessoas que respondam sim ou não a essa pergunta, além de ser inócuo, como se viu, reduz um problema social grave ao que parece ser apenas uma disputa entre pessoas de índole pacífica (os antiarmas) e pessoas belicosas (os pró-armas). Obviamente, não é nada disso. Nem as pessoas que possam se entusiasmar com o voto SIM na proposta de consulta popular são todas elas exemplos de civilidade e ordem nem os optantes pelo NÃO são brasileiros ávidos por correr às lojas em busca da última Magnum .357 ou de outra arma de fogo. O que torna o referendo das armas um erro em sua essência é justamente fazer pouco da boa-fé dos brasileiros que sofrem com o banditismo. O referendo é um despiste, uma tentativa de mudar de assunto, de desviar a atenção das pessoas do mal que realmente as atormenta: o banditismo. Pior ainda. Como uma possível vitória do SIM não terá efeito positivo algum – ao contrário, vai ajudar a aumentar ainda mais o poder de fogo dos bandidos –, as pessoas vão se sentir culpadas pelos crimes que continuarão acontecendo. No campo pessoal, essa angústia foi exemplarmente aliviada pela escritora americana Susan Sontag, morta no ano passado. Sontag denunciou a noção cruel então dominante de que o câncer seria uma doença auto-inflingida a que pessoas emocionalmente amargas e ensimesmadas estariam mais propensas.

    A maneira como a pergunta do referendo foi formulada é, em si, desonesta. "Se me pedissem para formular a questão do referendo de modo que o resultado fosse favorável ao desarmamento, eu teria feito exatamente a frase que será apresentada aos eleitores", diz José Paulo Hernandes, diretor de pesquisa da Gallup Organization. Como profissional de uma empresa de pesquisas de mercado, Hernandes tem de se preocupar em fazer perguntas que não provoquem respostas distorcidas do público pesquisado. Uma das regras é que a questão não pode ter palavras com conteúdo emocional forte. Ao juntar "armas" e "proibição", os autores do referendo cometem esse deslize. Como o brasileiro está acostumado a relacionar armas com a criminalidade que assola o país, sua tendência natural é dizer sim à proibição, sem questionar se a medida serve para reduzir a violência.

    Ninguém de boa-fé pode ser favorável à venda indiscriminada de armas de fogo. A idéia de um planeta sem armas é uma deliciosa utopia. Ninguém pode também se opor a ela desde que John Lennon pediu que se desse "uma chance à paz". O desastre é que o referendo do dia 23 não será um passo na direção dessa utopia. Se vencer o SIM, ele apenas vai desequilibrar ainda mais o balanço de forças entre as pessoas comuns e os bandidos – a favor dos bandidos. "As mazelas da insegurança nacional não decorrem do excesso de armas nas mãos da população, mas de uma polícia, um sistema judicial e prisional ineficientes", diz José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública. Para lutar contra o crime, o Brasil dispõe de meio milhão de homens nas polícias Militar, Civil e Federal. Não é pouca gente. Nas principais cidades brasileiras, a proporção entre policiais e população é semelhante à de Nova York. Os policiais brasileiros estão entre os mais improdutivos do mundo. No tempo gasto por eles para esclarecer um caso, seus colegas americanos desvendam nove e os ingleses resolvem catorze. As várias forças policiais não trabalham em conjunto, não existe um bom sistema de troca de informações criminais entre os estados e é difícil e raro expulsar policiais corruptos das corporações. A Justiça condena poucos criminosos por dois motivos. Primeiro porque está sobrecarregada de processos por causa da escassez de juízes. Segundo porque em geral o trabalho de investigação da polícia é malfeito.

    O poder público brasileiro tem uma larga tradição em abster-se de enfrentar os problemas de forma realista e racional para buscar soluções no mundo do faz-de-conta. São planos que prometem "matar o tigre com uma bala só", como dizia o presidente Fernando Collor de Mello a respeito da inflação. A solução "bala mágica" foi usada várias vezes contra a inflação e nunca deu certo. Só funcionou quando o Plano Real optou pela racionalidade e aceitou a existência de um mundo real do lado de fora dos gabinetes de Brasília. O referendo carece dessa racionalidade. Cria um problema falso (o excesso de armas no Brasil) e uma solução enganosa (acabar com as armas legalizadas) de forma a evitar a questão real (a criminalidade e a ineficiência da política). Em outras palavras, em lugar de enfrentar o problema, finge-se que ele não existe. Pior é que somos reincidentes. Em 1998, para combater o desmatamento na Amazônia, que repercutia negativamente no mundo, em vez de fiscalizar e reprimir as madeireiras ilegais, o governo instituiu o registro das motosseras, que foram equiparadas às armas de fogo. O governo colocou o país para dormir tranqüilo com a medida. Resultado: nos cinco anos seguintes, desmatou-se na região o equivalente a três Bélgicas. No lugar das motosserras, proibidas, os desmatadores passaram a usar tratores em sua faina destrutiva.

    O próprio nome da campanha – pelo desarmamento – é enganoso. O título tem apelo popular, mas não traduz com fidelidade o que está sendo proposto. Não se trata de uma consulta sobre o desarmamento, mas a respeito da proibição ou não do comércio de armas. Restrições mais severas quanto a compra, posse e porte de armas já foram adotadas pelo Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003 – e não estão em jogo. "Gasta-se um instrumento fundamental da democracia, o referendo, para discutir um tema superado pelo próprio estatuto", diz Hugo Leal, secretário de Justiça e Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro.

    Há 2,5 milhões de armas legalmente registradas em mãos de cidadãos comuns. Em termos porcentuais, significa que 1,4% dos brasileiros tem uma arma, que pode ser uma espingarda de caça, comprada num estabelecimento comercial devidamente legalizado, e a registrou nos órgãos oficiais. É contra essas pessoas que está sendo brandido o referendo. Na falta de qualquer outra estratégia real, que enfrente o crime e a corrupção policial com persistência, surgiu a solução da democracia direta que fará muito barulho por nada. É mais uma oportunidade perdida.


    O TRUQUE DA PERGUNTA


    No dia 23 de outubro, os brasileiros serão chamados às
    urnas para responder "sim" ou "não" à seguinte questão:

    "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

    Metade do sucesso de uma consulta popular vem da correção e seriedade com que a questão é formulada. A pergunta do referendo do dia 23 de outubro é um disparate. Ela reduz um problema social complexo a uma simplória questão comercial

    A pergunta do referendo de 23 outubro poderia ser formulada de modo mais honesto e realista da seguinte maneira:

    "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?"


    Os bandidos, como se sabe, são fora-da-lei. Já é ilegal matar, e eles matam. É ilegal roubar, e eles roubam. Se o comércio de armas se tornar ilegal, os bandidos vão continuar fortalecendo seu arsenal no mercado negro como sempre fizera

    1. OS PAÍSES QUE PROIBIRAM A VENDA DE ARMAS TIVERAM AUMENTO DA CRIMINALIDADE E DA CRUELDADE DOS BANDIDOS

    A experiência internacional demonstra que a quantidade de armas nas mãos da população não determina o grau de violência de uma sociedade. Tanto é assim que a Suíça, onde a venda de armas é livre e os homens recebem um fuzil do Exército para guardar em casa, e o Japão, onde armas de fogo são rigorosamente proibidas, estão entre os países com as menores taxas internacionais de criminalidade. Decretar o desarmamento geral como principal medida para coibir a criminalidade costuma ser um tiro pela culatra. A Jamaica, um dos países mais violentos da América, baniu as armas de fogo em 1974. De lá para cá, a situação piorou, e com o acréscimo de um novo elemento, o mercado negro de armamentos. "Os criminosos jamaicanos encontram pistolas e revólveres contrabandeados facilmente, enquanto o cidadão honesto que quer ter uma arma é obrigado a recorrer à ilegalidade", disse a VEJA o canadense Gary Mauser, pesquisador do Instituto de Estudos Urbanos do Canadá e especialista em políticas de controle de armas. Muitos países adotaram o desarmamento em momentos de forte comoção social. Em estado de choque devido ao massacre cometido por um louco, em 1996, a Austrália baniu modelos automáticos e semi-automáticos e tirou de circulação 700.000 armas, o equivalente a um sexto do arsenal do país – mas o número de homicídios se manteve inalterado. Na Inglaterra, desde o banimento das armas com calibre superior a 22 milímetros, em 1997, os crimes de morte aumentaram 25% e as invasões de residência, em torno de 40%. "Com a população desarmada os riscos são menores para os criminosos", diz o economista americano John Lott, autor de dois livros sobre desarmamento. "Os marginais sentem-se mais seguros para invadir as casas mesmo que os proprietários estejam dentro, o que potencializa a violência dos assaltos."

    2. AS PESSOAS TEMEM AS ARMAS. A VITÓRIA DO "SIM" NO REFERENDO NÃO VAI TIRÁ-LAS DE CIRCULAÇÃO NO BRASIL

    A culpa pelos altos índices de criminalidade e de homicídios não é da arma, mas de quem a tem em mãos. Revólveres não transformam cidadãos em assassinos. O Rio Grande do Sul é um exemplo. O estado tem a população mais armada do país – 937.000 armas registradas, ou uma para cada dez habitantes. Ao mesmo tempo, possui uma das menores taxas de homicídio (doze para cada 100.000 habitantes). No estado de São Paulo, há uma arma para cada 74 habitantes e uma taxa de 28 homicídios por grupo de 100.000 habitantes. A Suíça é um dos países mais armados do mundo. São 2 milhões de armas – entre elas 600.000 fuzis e 500.000 pistolas – para uma população de 7 milhões de pessoas. As ocorrências de crime por arma de fogo são tão baixas que nem sequer têm valor estatístico. Em muitos países, a arma é uma questão cultural, e não, necessariamente, um instrumento de agressão. Em especial, os países de fronteira, com grandes espaços a ser ocupados, como os Estados Unidos, o Canadá e o Brasil, têm a tradição da posse da arma e da caça. Nas zonas rurais brasileiras, longe dos pontos policiais, serve para sitiantes e fazendeiros defenderem suas propriedades de assaltos, invasões do MST e dos ataques de animais predadores a seus rebanhos e criações. É por isso, com certeza, que os sem-terra apóiam o desarmamento. "É muito fácil jogar a culpa pelo aumento da criminalidade na arma, e não na falta de investimento na segurança pública", diz o secretário da Justiça do Rio Grande do Sul, José Otávio Germano. As armas, assim como as bebidas alcoólicas ou os automóveis, não causam estragos por conta própria. Só se tornam nocivas se forem mal utilizadas. "Os mesmos argumentos usados de forma falaciosa para justificar o desarmamento poderiam muito bem ser utilizados em relação às mortes provocadas no trânsito para proibir a circulação de veículos", diz o economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo.

    3. O DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO É HISTORICAMENTE UM DOS PILARES DO TOTALITARISMO. HITLER, STALIN, MUSSOLINI, FIDEL CASTRO E MAO TSÉ-TUNG ESTÃO ENTRE OS QUE PROIBIRAM O POVO DE POSSUIR ARMAS

    Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, listou o desarmamento da população entre as providências essenciais para garantir o controle totalitário da sociedade. A história mostra que restringir o acesso da população às armas é uma das primeiras medidas de qualquer regime totalitário. "A história ensina que todos os conquistadores que permitem aos povos dominados carregar armas acabam caindo", teorizou Adolf Hitler, em 1942. Hitler desarmou os alemães e os povos dos países ocupados, mas distribuiu armas entre milícias fiéis ao regime. É o mesmo que atualmente fazem Fidel Castro em Cuba e o coronel Hugo Chávez na Venezuela. "O desarmamento faz parte da filosofia comunista de que toda e qualquer liberdade individual deve ser abolida em benefício do Estado operário", diz Angelo Segrillo, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro. Nessa linha de raciocínio, Stalin, da União Soviética, Mao Tsé-tung, da China, e Pol Pot, do Camboja, desarmaram suas populações.

    4. A POLICÍA BRASILEIRA É INCAPAZ DE GARANTIR A SEGURANÇA DOS CIDADÃOS

    Desde a sua gênese, na Europa do século XVII, os Estados modernos têm como um de seus pilares o princípio de que a autoridade central deve ter o monopólio legítimo do uso da força e da violência, tornando-se responsável pela segurança de todos. O fato de a segurança coletiva ser atribuída ao Estado, no entanto, não elimina o direito de autodefesa do cidadão para preservar a própria vida – o que em determinadas ocasiões chega a ser uma reação instintiva. "É por isso que o princípio de 'legítima defesa' está presente em quase todos os grandes sistemas de direito do mundo", diz Eduardo Carlos Bianca Bittar, professor de filosofia e teoria geral do direito da Universidade de São Paulo. "A vida é um bem inalienável e o Estado não pode limitar o poder do indivíduo de defendê-la", diz Bittar. Em países como o Brasil, em que a impunidade de criminosos, a ineficácia das leis e a violência urbana já fazem parte do imaginário nacional, é natural que a confiança dos cidadãos no Estado desapareça. Segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo, apenas 10% dos brasileiros acreditam que a polícia garante a segurança da população. A desconfiança dos cidadãos tem respaldo nas estatísticas: apenas um décimo dos 50 000 homicídios que acontecem por ano no Brasil é esclarecido pela polícia.

    5. A PROIBIÇÃO VAI ALIMENTAR O JÁ FULGURANTE COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS

    Bandidos não compram armas em lojas. "A maior parte das armas em poder do crime organizado é obtida por meio de contrabando", diz o delegado Carlos Oliveira, titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos do Rio de Janeiro. Em 2001, essa delegacia rastreou 1.030 armas apreendidas para descobrir como elas foram parar nas mãos de criminosos e descobriu que boa parte delas era de fabricação brasileira e de uso restrito das Forças Armadas e da polícia. Muitas tinham sido exportadas para outros países, sobretudo o Paraguai e os Estados Unidos, e voltado nos contêineres dos contrabandistas. Nos morros cariocas, os criminosos exibem exemplares do Fuzil Automático Leve (FAL), usado pelo Exército Brasileiro, e do fuzil HK G3, alemão, utilizado pela Marinha e pela Aeronáutica. São armas roubadas de sentinelas, compradas de militares corruptos ou tomadas em assaltos a caminhões de carga. A proibição do comércio de armas de fogo não vai pôr fim ao mercado de armas e munições. A medida, além de contribuir para o crescimento do mercado clandestino, pode colocar o cidadão de bem em situação irregular. Mesmo se tiver uma arma registrada em casa, ele não conseguirá comprar munição, a não ser de forma ilegal. Como é óbvio, a proibição do comércio legal de armas terá como conseqüência inevitável a ampliação do tráfico ilegal.

    6. OBVIAMENTE, OS CRIMINOSOS NÃO VÃO OBEDECER À PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE ARMAS

    No Brasil há um comércio de armas legal, sobre o qual o Estado tem controle. O país produz em torno de 200.000 armas por ano e exporta 70% delas, sobretudo para os Estados Unidos e para a Indonésia. Uma parte é vendida aqui diretamente às Forças Armadas e à polícia. Chegam às lojas em torno de 20.000 armas. A maioria é adquirida por empresas de segurança e 3.000 são compradas por pessoas comuns para uso particular. Os defensores da proibição do comércio legal desses artefatos argumentam que as armas acabam nas mãos de bandidos, roubadas em assaltos a residências ou nas ruas. Em vista das pesadas restrições que cercam a venda de armas no Brasil, todo o mastodôntico referendo foi criado, em última análise, para decidir sobre um reles arsenal de 3.000 revólveres e armas de caça vendidos por ano. Isso num país em que se estima existirem 8 milhões de armas clandestinas. Dessa forma se estará abrindo mão de um dos derradeiros setores do comércio de armas que agem dentro da lei e sobre o qual o Estado tem controle. A medida, além de alimentar o crescimento do mercado negro, pode colocar o cidadão de bem numa situação difícil. Mesmo se tiver uma arma registrada em casa, ele não conseguirá munição, a não ser com traficantes.

    7. O REFERENDO DESVIA A ATENÇÃO DAQUILO QUE DEVE REALMENTE SER FEITO: A LIMPEZA E O APARELHAMENTO DA POLÍCIA, DA JUSTIÇA E DAS PENITENCIÁRIAS

    Um dos argumentos daqueles que defendem a proibição da venda de armas de fogo é que a medida reduzirá o número de armas em circulação e, em conseqüência, cairão os índices de homicídios. A premissa é duplamente falsa: primeiro porque o contrabando dará um jeito de atender à demanda por armas, em especial a dos bandidos. Segundo porque, mesmo que as armas disponíveis diminuíssem, isso não seria suficiente para reduzir a criminalidade. "Crime se combate com uma polícia honesta e bem equipada, não com o desarmamento da população", diz o paulista José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública. As experiências bem-sucedidas de redução de criminalidade em outros países começaram pelo combate à corrupção na polícia. Na década de 90, antes de adotar a política de tolerância zero ao crime, o então prefeito de Nova York Rudolph Giuliani foi implacável com os policiais corruptos. No Brasil, o passo seguinte seria aparelhar melhor a polícia. O governo federal gasta, por ano, 170 milhões de reais com segurança pública. Isso é menos do que os 270 milhões de reais que serão gastos com o referendo. Com esse dinheiro seria possível comprar 10 500 viaturas e 385 000 coletes à prova de bala para a polícia. O recurso seria ainda mais bem aplicado se fosse usado na aquisição de computadores para as delegacias e na unificação do banco de dados das forças públicas. "Quanto melhor a estrutura de informação e comunicação da polícia, maior sua capacidade de combater o crime", diz José Vicente da Silva Filho. "Essa é uma das maiores deficiências da polícia brasileira."


    POR QUE STEDILE APÓIA O DESARMAMENTO

    Seis de cada dez armas existentes no Brasil estão em áreas rurais. Sem elas, os sitiantes e fazendeiros não teriam como se defender de animais silvestres, manter suas criações a salvo de predadores e, principalmente, se proteger de bandidos e evitar furtos e roubos tanto de gado como de equipamentos e insumos agrícolas. "Nas áreas rurais, a dezenas de quilômetros de uma delegacia de polícia, ter uma arma de fogo é uma necessidade", diz o agrônomo e deputado federal Xico Graziano. Sem as armas, perderiam também um poderoso instrumento de dissuasão usado para prevenir saques e invasão do MST. No ano passado, o fazendeiro Luiz Antonio de Barros Coelho Júnior, na foto ao lado, armou-se e se entrincheirou em sua propriedade, no Pontal do Paranapanema, para resistir aos tiros e coquetéis molotov lançados pelos sem-terra. É por isso que João Pedro Stedile, o líder máximo do MST, apóia o desarmamento: na próxima invasão, terá a segurança de que não enfrentará resistência armada.



    VÍTIMA DAS ARMAS, INIMIGO DO DESARMAMENTO


    O carioca Michel Kyrillos, de 53 anos, não tem armas. Nas cinco vezes em que foi assaltado nas ruas do Rio de Janeiro, seguiu as orientações dos especialistas em segurança e não reagiu. No quinto assalto, em dezembro de 2002, ele se assustou – e pagou caro por isso. Era um fim de tarde de domingo, e Kyrillos dirigia, acompanhado da mulher, pelas ruas do bairro de Campo Grande, na Zona Oeste. Seu carro foi fechado por um grupo de assaltantes a 200 metros de um posto da polícia. Ao tentar desviar da armadilha, capotou. Os ladrões acertaram onze tiros no carro e um em Kyrillos. Atingido na coluna, ele esteve internado por quatro meses num hospital e ficou paraplégico. Foi obrigado a deixar o emprego de supervisor de vendas e se aposentou por invalidez. Os assaltantes nunca foram identificados.

    Hoje, Kyrillos, que é fundador do Jeep Club do Rio de Janeiro, locomove-se numa cadeira de rodas. Embora tenha sido vítima das armas, ele é contra o projeto de desarmamento. "Os bandidos vão continuar tendo acesso fácil às armas e os políticos não vão demitir seus seguranças particulares que andam com revólveres", ele diz. "Eu não sairia na rua com uma arma, mas acho que essa é uma escolha pessoal, um direito do cidadão. Como a polícia não funciona, todos nós temos direito a nos defender", completa.

    A criminalidade no Rio de Janeiro bate recordes a cada ano, sem que a máquina do Estado consiga deter sua escalada. De janeiro a junho deste ano, as tentativas de homicídio, como a que vitimou Kyrillos, aumentaram 11% com relação ao ano passado. O total de roubos registrados nas delegacias aumentou 6% no mesmo período. Acuada, a população carioca espera providências concretas, que nunca se materializam. "O problema da polícia do Rio de Janeiro é que ela não tem planejamento. As ações sempre respondem a problemas pontuais", diz o sociólogo Ignacio Cano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.




    APÓS A TRAGÉDIA, AULAS DE TIRO

    O americano Chuck Yeager, o primeiro piloto de testes a quebrar a barreira do som em um avião supersônico, perdeu uma irmã em um acidente com uma espingarda, em 1927. A tragédia aconteceu quando Yeager tinha 4 anos. Ele e seu irmão, Roy, estavam brincando com a arma do pai no chão da sala de estar. Roy encontrou algumas balas e conseguiu carregar a arma. Sem querer, ele disparou e acertou a irmã, Doris Ann, de 2 anos. Depois do funeral, o pai de Yeager chamou os dois filhos e disse: "Vou ensiná-los a manejar uma arma com segurança". Em uma avaliação mais apressada se poderia considerar como irresponsável a atitude do pai do piloto. Na perspectiva da família Yeager, no entanto, o problema não estava nas armas em si, mas em como eram usadas. Espingardas faziam parte do equipamento de uma casa rural americana daquela época, e elas não disparam sozinhas. Só se tornam letais se forem utilizadas com a intenção de matar ou de forma descuidada. No Brasil, os disparos acidentais representam 5% das mortes por armas de fogo que ocorrem por ano. É um número baixo comparado com o de mortes intencionais, mas é uma das taxas mais altas do mundo. Isso é um indício de que os brasileiros são pouco preparados para um uso responsável das armas. "Não será proibindo a sua venda que os acidentes serão evitados. O importante é manejar com cuidado o armamento", disse a VEJA o jurista americano David Kopel, autor de dois livros sobre políticas de desarmamento.

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