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  • #73
    Usuário Avatar de marcelo nunes
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    Amigo, sua resposta foi meio confusa. Como vc mesmo relata, a gasolina exportada é PURA, País nenhum no mundo compra a mesma "gasolina" vendida aqui, ou seja, misturada com alcool na proporçâo média de 1/4, e era isso que eu havia perguntado.
    Não há confusão, vai ver você não leu tudo ou não chegou a entender os termos.
    O álcool é mero booster, por isso quando a gasolina vai sem álcool atende as especificações internacionais perfeitamente.
    Para todos esses países que relacionei ela vai com álcool ou sem, a pedido dos diversos clientes. Geralmente vai sem para que seja adicionado lá.

    Quando vai com álcool, especialmente para os USA como eu disse, ela extrapola quanto à octanagem. Por isso alguns estados americanos a pedem sem álcool senão ela "atropela" as especificações da gasolina "extra" e lá ela é vendida como 'regular', devido ao preço e à tributação.

    Ao contrário do que se pensa, toda gasolina vendida no continente norte-americano tem algum booster de octanagem, seja MTBE ( metil-tercio-butil-éter...complicou? Metanol...), seja álcool ou pior, chumbo. Ou seja, a gasolina sai daqui sem álcool mas recebe o booster lá, como toda gasolina vendida naquele país
    Olha bicho, nisso vou ter que discordar... o que acontece nos EUA, é que depois do Clean Air Act de 1990, NAS ÁREAS URBANAS com altos índices de poluição houve obrigatoriedade de venda de gasolina "clean-burning" como eles dizem, nâo como booster, mas sim com o propósito de controlar os índices de poluiçâo. Embora algumas companhias já utilizassem esse sistema desde meados dos anos 70, a obrigatoriedade da utilizaçâo de algum aditivo que aumente o nível de oxigênio na gasolina (metanol ou alcool) é relativamente recente e a utilizaçâo desse tipo de gasolina vem caindo, sendo que o uso de metanol chegou a ser proibido em alguns Estados, pois estava contaminando lençóis freáticos...
    Mesmo havendo obrigatoriedade legal de se misturar alcool ou metanol na gasolina, houve uma enchurrada de processos em cima das companhias distribuidoras, pois a perda de potencia/torque, aumento de consumo e diminuiçâo da vida útil de vários componentes dos automóveis nâo passou desapercebida pelos consumidores americanos. E olha que lá nunca chegaram a usar 1/4 de álcool, a mistura ocorre em pequenas proporções, e nâo em TODA a gasolina.
    A adição é sempre com o propósito de se obter umento de octanagem. O que se exige ena maioria dos estados é que seja booster que gere oxigenação, ao invés de chumbo.
    O combustível com MTBE ainda é vendido livremente nos estados onde os sindicatos de revendedores ( proprietários de postos, não empregados) não conseguiram barrar a venda.
    Gasolina com chumbo somente em estados do meio-oeste e no Alaska.
    Gasolina com álcool anidro é vendida em todos os estados americanos, exceto o Alaska.


    A União não escolhe SE e PARA QUE
    Bom, nesse caso esquecerem de mudar a Constituição Federal, pois o parágrafo 1. do art. 177 é claro em dizer que a Uniâo "PODERÁ contratar com empresas estatais ou privadas..." Veja bem, poderá e nâo deverá... nada obriga a Uniâo a abrir mâo de seu monopólio, e seja lá o que estiver expresso na legislaçâo infraconstitucional que regulamenta o tema, se for contra a Constituiçâo, é ilegal.
    Não esqueceram de mudar nada. Como você não é advogado, não teria obrigação de saber reconhecer textos legais ou interpretar a CF. Mas como eu sou, eu tenho.

    A Emenda nº9 deu ao § 1º a redação "poderá contratar com empresas estatais ou privadas", porque antes havia a obrigatoriedade de entregar à Petrobrás a lavra. Foi aí que quebrou-se o monopólio.

    É mera questão de hermenêutica jurídica e constitucional. A CF não diz o que se deve fazer, mas o que se pode fazer..

    A exceção é quanto à administração pública, a qual recebe o ônus do poder-dever. Tudo que ela PODE fazer, ela DEVE fazer.

    A União poderá entregar a um ou outro, empresa estatal ou privada. O critério de escolha, como tudo o mais pela lei 8666, é por licitaão.

    Mas DEVERÁ fazê-lo, sob pena de crime de responsabilidade do administrador público que tiver conhecimento da existência de petróleo e não o entregar à exploração.

    O §1º dá à lei a força de regulamentação do tema, que foi feita pela Lei 9478.

    Tenha sempre em mente que ler somente um texto constitucional e querer aplicá-lo ipsis litteris nunca dá certo.

    Se você achar um poço de água mineral, gás, petróleo, uma mina de ouro, ou o que seja no seu quintal, em qualquer país, terá que pagar para explorar o subsolo.
    A diferença é que em muitos outros Países vc pode extrair da maneira que achar melhor, por sua conta e risco ou contratando outros para fazê-lo. Pode até mesmo decidir deixar quieto e nâo extrair. Aqui, a Uniâo literalmente faz o que quiser na sua propriedade e te paga uma merreca em troca.

    Quanto a situaçâo da exploraçâo do petróleo no Brasil, como vc mesmo confirmou, o que existe é monopólio de fato da petrobrás, pois somente ela atua em todas as cadeias do setor... estou apenas constatando um fato, sem atribuiçâo de "culpa"...
    Extrair dessa forma só se for descoberto em algum país não civilizado. Isso é regido por tratado internacional. Ou você pensa que os poços da Standard oil no texas pertencem aos fazendeiros?

    São todos da federalizados, o governo americano indeniza pela lavra, como ocorreria aqui. O que ocorre lá é que esses fazendeiros (Rockfeller, etc...) receberam a concessão de lavra na forma de contrato de risco.

    Aqui é igual, só que a concessão é da Petrobrás pois ninguém mais teve interesse, ou não teve como competir com a Petrobrás, que já tem toda a estrutura pronta em solo brasileiro.

    Qualquer país do planeta tem o seu subsolo pertencente à união. Se o sujeito descobrir o petróleo e ficar quieto e o vizinho descobrir e divulgar, o óleo vai sair todo pelo poço do vizinho e o 'esperto' vai ficar chupando o dedo, como era muito comum acontecer no oeste americano.

    Um fazendeiro encontrava o óleo e "sentava no poço', como se diz no ramo. O vizinho encontrava, divulgava, recebia pela lavra e retirava o óleo por anos.

    Se o levantamente geológico não fosse bem feito, o poço do vizinho podia ser até pior, mas era dali que se extraía.
    Daí o "esperto" divulgava que também tinha óleo na terra dele, mas a União resolvia que um poço só já era suficiente... que o dele podia ser até em local melhor mas não compensaria mudar toda a estrutura de lugar. Tem muita família texana xingando o bisavô até hoje.

    Não existe "monopólio de fato", o que existe é o desinteresse econômico das empresas estrangeiras em retirar e refinar petróleo aqui.

    Micro extração de petróleo

    Existe em tudo que é lugar, desde que haja óleo, evidentemente... do Texas aos Estados do Nordeste e Norte do Brasil...
    No Brasil o que existe á a mera colocação de "cavalos de pau" em poços muito antigos em Mossoró. Exatamente como no Texas onde se extrai da mesma forma. Isso tambem eu vi no México e em alguns países árabes.

    Mas trata-se sempre de um mesmo lençol que está mais próximo da superfície ou tem solo mais favorável em determinados pontos. O petróleo não se "acomoda" em pequenos bolsões.

    Em Mossoró, por exemplo, há um único poço com mais de 60 cavalos de pau. Poderia ser tudo extraído num local só. Só não se faz isso por ser mas caro retirar todos os "cavalos de pau" pequenos para lavrar de um local só e porque o poço é muito antigo e não tem mais pressão.

    Daí ser anti-econômico e não se aplicar mais hoje em dia esse tipo de extração( há uns 40 anos não se faz mais isso), é muito mais lógico e barato extrair tudo de um único ponto.

    Quem resolver 'tirar do quintal" vai obter petróleo muito mais caro, por ser em vazão mínima, e vai ficar com ele guardado na garagem, porque ninguém vai pagar mais que o preço internacional por ele.
    [/i]

  • #74
    Não há confusão, vai ver você não leu tudo ou não chegou a entender os termos.
    O álcool é mero booster, por isso quando a gasolina vai sem álcool atende as especificações internacionais perfeitamente.
    Para todos esses países que relacionei ela vai com álcool ou sem, a pedido dos diversos clientes. Geralmente vai sem para que seja adicionado lá.

    Quando vai com álcool, especialmente para os USA como eu disse, ela extrapola quanto à octanagem. Por isso alguns estados americanos a pedem sem álcool senão ela "atropela" as especificações da gasolina "extra" e lá ela é vendida como 'regular', devido ao preço e à tributação.
    A adição é sempre com o propósito de se obter umento de octanagem. O que se exige ena maioria dos estados é que seja booster que gere oxigenação, ao invés de chumbo.
    O combustível com MTBE ainda é vendido livremente nos estados onde os sindicatos de revendedores ( proprietários de postos, não empregados) não conseguiram barrar a venda.
    Gasolina com chumbo somente em estados do meio-oeste e no Alaska.
    Gasolina com álcool anidro é vendida em todos os estados americanos, exceto o Alaska.

    Brother, pelo jeito vc conhece as razôes dos americanos melhor do que eles mesmos, pois as informaçôes do American Petroleum Institute e da U.S. Environmental Protection Agency nâo condizem com o que vc está dizendo. Quem tiver curiosidade pode procurar e tirar suas próprias conclusôes.


    Mas como eu sou, eu tenho
    Bom, nesse caso vc tmb teria obrigaçâo de saber que o direito nâo é uma ciência exata e a obrigatoriedade do poder-dever nos termos em que vc está apresentando nâo existe neste caso. O poder-dever existe para a autoridade pública não se furtar de agir quando a lei assim o determinar ou quando as circunstâncias exigirem, nâo para obrigar o poder público quando legalmente existe possibilidade de atuaçâo. A interpretaçâo nâo é literal, mas sistemática. Caso a obrigatoriedade existisse no caso em questâo, a própria emenda n 9 seria inconstitucional, já que iria de encontro ao restante do artigo 177. Interpretaçâo igual à sua existe, mas não é unânime e está longe de ser considerada verdade universal.

    Quanto ao monopólio, acho que vc está fingindo nâo conhecer o significado da palavra, entâo não irei perder tempo tentando explicar. Digo apenas que a previsâo legal nâo é necessária para sua ocorrência.

    Dito isso, I rest my case 8) amigo, respeito suas posiçôes, apenas não concordo com elas. Tbm posso estar estar errado, nâo sou arrogante a ponto de me achar dono da verdade, apenas acho a discussâo salutar, uma vez que pode incentivar outras pessoas a pesquisar e tirar suas próprias conclusôes. Como diz o ditado, toda unanimidade é burra.

  • #75
    Usuário Avatar de marcelo nunes
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    Bom, nesse caso vc tmb teria obrigaçâo de saber que o direito nâo é uma ciência exata e a obrigatoriedade do poder-dever nos termos em que vc está apresentando nâo existe neste caso.
    Tenho a obrigatoriedade de saber sobre a matéria sim, pela minha atividade profissional nos últimos 16 anos e pelo cargo que ocupo desde 1995, como membro da comissão inventariante da Petrobrás Distribuidora. Por isso não tenho porque discutir o que é ou o que não é monopólio com ninguém.

    Assim sendo, Direito Constitucional e Administrativo eu não discuto, a não ser com quem também fez pós graduação latu sensu, em ambos os ramos do Direito, antes de dar "palpites"...

    E entendo muito bem as tais "razões" que você elencou erradamente, por ser associado do API e da SAE como engenheiro pesquisador desde 1994.

    Mas parece que seu intuito não é aprender sobre o tema com quem é diretamente envolvido e leciona a matéria, mas sim negar tudo, baseado em conceitos errôneos.

  • #76
    Usuário Avatar de Alessandro Henrique
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    Citação Postado originalmente por marcelo nunes
    100% biodiesel exige motores projetados para tal. Não é possível atualmente refinar um biodiesel e colocá-lo para rodar num motor originariamente para diesel mineral, embora leigos considerem isso possível.
    O efeito desta prática será consumo exageradamente elevado, formação de borras orgânicas, alto índice de emissão de particulados e diminuição drástica da vida útil do motor.
    Retomando a conversa, gostaria de saber opiniao do Marcelo sobre qual seriam as modificacoes necessarias em um motor diesel convencional para obter a melhor queima possivel do biodiesel.
    Me recordo neste momento do motor alemao Elko, sendo que alguns foram instalados no Brasil nos anos oitenta, acho que em 86. Pergunto: o mesmo nao seria a melhor opcao para o uso do biodiesel?

    Sds.
    CJ5 1976 - 6zão
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    Eixos Dana 44 LSD

  • #77
    Usuário Avatar de marcelo nunes
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    Citação Postado originalmente por Alessandro Henrique
    Citação Postado originalmente por marcelo nunes
    100% biodiesel exige motores projetados para tal. Não é possível atualmente refinar um biodiesel e colocá-lo para rodar num motor originariamente para diesel mineral, embora leigos considerem isso possível.
    O efeito desta prática será consumo exageradamente elevado, formação de borras orgânicas, alto índice de emissão de particulados e diminuição drástica da vida útil do motor.
    Retomando a conversa, gostaria de saber opiniao do Marcelo sobre qual seriam as modificacoes necessarias em um motor diesel convencional para obter a melhor queima possivel do biodiesel.
    Me recordo neste momento do motor alemao Elko, sendo que alguns foram instalados no Brasil nos anos oitenta, acho que em 86. Pergunto: o mesmo nao seria a melhor opcao para o uso do biodiesel?

    Sds.
    O projeto ELko, do Elsbett Institute, esteve em voga em 1988.

    Sua patente foi adquirida nos USA, Europa e Ásia por duas das "sete irmãs" petrolíferas, para ser devidamente sepultado.

    No Brasil a patente foi adquirida pelo Grupo Garavelo e, na falência deste, por um investidor nosso conhecido que a mantém guardada para uso no momento certo.

    Um motor Elko utiliza qualquer óleo vegetal ou mineral como combustível, em qualquer proporção, embora com dificuldades relativas aos padrões de emissões de poluentes hoje em vigos. Mas nada que umas milhares de horas em laboratório não resolvam.

    Para a melhor queima possível do biodiesel, os testes têm dito que 1/3 do caminho é o uso de "common rail". Motores com essa tecnologia não necessitam de qualquer modificação para mix de até 5% de biodiesel.

    Os demais, sem injeção eletrônica, comprovadamente não necessitam de alterações para os 2% que serão adicionados nos próximos anos.

    As adaptações dos motores atuais para uso de 100% biodiesel foram impraticáveis até agora. O cronograma aponta para motores capazes de queimar 50% biodiesel daqui a seis a oito anos, mas somente em caráter experimental.

  • #78
    Só pra reaquecer o assunto, alguem já viu este programa?

    http://baixaki.ig.com.br/site/detail18497.htm

    Por gentileza os "experts" não leigos (desculpe a redundância) poderiam se pronunciar a respeito?
    Saúde pra todos nós.
    Adriano Karlo. PU2AKR, QAP 145.180

  • #79
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    AdrianoJPX,

    Se for do ponto de vista teorico é não é muito bom a nivel de esclarecimento universitário, mas dá pra quebrar o galho inicialmente. A nível prático, é ZERO, não tem esclarecimento prático nenhum, brasileiro é assim mesmo, mas nós vamos mudar esta cultura . Se vc pretende fazer d fato o biodiesel em sua casa ou num laboratório na sua escola, vc acessa http://www.biodieselcommunity.org/mainpage/ e boa sorte. C vc morar em um apartamento em meio a av. Paulista em Sampa, tu pode esquecer, vc não chegará a lugar algum por falta d espaço para mexer com as químicas, É PERIGOSO. C tu morar proximo a uma região agricula d um grande centro como SP, tu vai c dar bem. Eu faço aqui no interior d Rondônia e o negócio é show. O problema é a glicerina, q agora estou procurando algum comprador.

  • #80
    Banido Avatar de ojaneri
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    01/07/2004
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    Indo para o assunto do tópico, ontem vi um onibus escrito atrás

    Prefeitura de Fortaleza
    Esse onibus funciona com bio-diesel!

    Mas nao mencionava nenhuma porcentagem...

  • #81
    Usuário Avatar de Julio Militão
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    14/07/2005
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    Caros colegas de forum,

    Por que não usar o óleo vegetal puro diretamente? Pelo que sei antigamente era bastante utilizado! Outra, vi na Alemanha um automovel com motor a diesel funcionando com oleo vegetal puro, so fazia um pre aquecimento no oleo para diminuir a viscosidade (80 graus Celsius). Este veiculo, segundo o proprietario ja rodou mais de 150.000 Km so usando oleo puro!!!! Transformar oleo vegetal em biodiesel (que na realidade é um ester metilico ou etilico) sai caro pois incorpora tecnologia, enquanto o oleo vegetal puro sai bem mais em conta! Obte-lo em casa é facil. Purifica-lo da um pouco de trabalho, comecem misturando com diesel em proporções pequenas e troque os filtros periodicamente. No forum http://www.4x4brasil.com.br/forum/viewtopic.php?t=16513 tem um colega que diz utilizar 50% diesel 50% oleo vegetal, se pre aquecer o oleo puro vai 100%!

    Um abraço

  • #82
    Usuário Avatar de Luca
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    21/05/2004
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    Bom, segue texto que recebi, sobre o biodiesel. Pesquisei sobre a autora na internet, e parece que ela tem formação (Unicamp) prá dizer o que segue. Tô vendendo como comprei.
    []´s

    A farsa da mamona e os pseudofabricantes de biodiesel
    06/02/06

    Profª. Drª. Adriana Flach
    Universidade Federal de Roraima

    Centro de Ciências e Tecnologia
    Departamento de Química


    Logo após o discurso em que Lula se apresentou humildemente como o Getúlio Vargas do biodiesel e anunciou que a Petrobras contratou a compra de 65,3 milhões de litros desse combustível, ofereceu um frasco de sementes de mamonas ao governador do Paraná, Roberto Requião que, de pronto, passou a mastigá-las como se fosse amendoim salgado.

    Risadas de Lula e um aviso, "É tóxica".

    Requião, governador de um Estado que "vive" de agricultura, não sabia até ontem o básico, o bê-a-bá que um trabalhador rural aprende antes mesmo de dar o primeiro golpe de enxada.

    Do óleo de mamona se extrai a ricina, um portentoso veneno, mais mortífero que o da jararaca. Em pequenas quantidades, como se encontra no óleo de mamona, provoca um poderoso efeito laxante. Todavia, hoje foi banido da farmacopéia por sua elevada periculosidade.

    As risadas de Lula-Getúlio e a fome de Requião (em ano eleitoral) não são bons sinais para o programa do diesel vegetal. Um programa que pode substituir o petróleo, gerar alternativas renováveis, renda e emprego.

    A própria toxicidade da mamona que será plantada, segundo Lula, em grande quantidade no Nordeste trará problemas ambientais desde o plantio até a industrialização. Mamona deverá doer não só no estômago e nos pulmões dos desavisados, ela afetará já na primeira fase os bolsos dos agricultores.

    É um óleo, próprio para uso lubrificante (utilizado para este fim na aviação), comercializado a US$ 1.000 a tonelada, valor que lhe garante competitividade com o barril de petróleo acima de US$ 150. Absurdo, ainda, suar para produzir um óleo de US$ 1.000 a tonelada para transformá-lo em diesel que vale internacionalmente US$ 480. Alguém usaria uísque de 18 anos para produzir outro de 8 anos? A relação custo/benefício e as características químicas da mamona não atendem ao programa de biodiesel, como não atendem por outras razões sementes oleaginosas como a soja, o nabo forrageiro, o girassol e o amendoim. Nos ambientes (sérios) de estudo e pesquisa já se conhecem essas limitações. É uma pena, todavia, que apareçam nas telas de televisão malabaristas para badalar o assunto. Por que razão os maiores esmagadores mundiais de soja (quem mais entende do assunto) não aderiram ao programa exaltado por Lula? Tem algo errado. Ou tem algo eleitoreiro demais.

    Ainda sobre a mamona: vale lembrar que a produtividade média por hectare no Brasil é de uma tonelada, seu preço é R$ 500 e requer plantio e colheita manual a cada ano. Um hectare fornece, portanto, cerca de 440 litros (40% do peso da semente) de biodiesel por cada hectare plantado, uma quantidade ínfima para um plano de larga abrangência e geração de renda. Basta pensar que um hectare de cana, que se replanta uma vez a cada quatro colheitas, produz em média no Brasil 7.000 litros de combustível. Mais problemas: a combustão do biodiesel de mamona, pelo excesso de resíduos, empastela o motor.

    Com o mundo movido a dinheiro precisa enfrentar outro obstáculo: não existe margem econômica para quem planta apenas mamona, para quem extrai seu óleo visando ao combustível e para quem o comercializa como biodiesel. Outra impossibilidade crônica é o fato de que a União e os Estados deveriam retirar todos os tributos que mordem na venda de combustível e fornecer subsídios desbragados a todos os participantes da cadeia.

    Preste-se atenção, também, ao rol das empresas que assinaram contrato com a Petrobras: a maioria delas não tem condição de produzir nem poucos litros por dia, suas plantas industriais são tecnicamente inviáveis e rudimentares.

    Quem é técnico do setor alerta que em menos de dois anos esses pseudofabricantes fecharão as portas, algumas sem ter produzido uma tonelada.

    Na Internet sobram alertas, explicações científicas, cálculos econômicos sobre a inviabilidade do programa lançado pelo Planalto.

    Alguns, professores e cientistas, o ridicularizam sem meios termos.

    Ainda é preciso lembrar que a Petrobras, coordenadora oficial do programa, ganha (e muito) com extração de petróleo. Sabemos que na estatal são todos santos, mas não existe dentro dela qualquer estímulo para desenvolver uma tecnologia que concorra com seu monopólio. Ou alguém gostaria de atirar no próprio pé?

    O programa é viciado de ingerências, de exaltações eleitoreiras, de demagogia, de lógica marqueteira. Pretende- se com ele fazer sonhar o "pobre" nordestino, como já se tenta com a transposição do São Francisco que nunca dará certo, pois se trata de "loucuras" sem lastro.

    O biodiesel chegará sim a resultados, por outros caminhos, com outras técnicas que não as propaladas. Até lá os improvisos, as precipitações, as sabotagens, os interesses oblíquos e eleitorais provocarão perdas de tempo precioso e de capitais. Um enxame de escroques já ronda o negócio, alguns cobrando royalties e preços obscenos para vender água com açúcar como elixir de longa vida!

    Os tropeços do programa, em suas fases iniciais, deixarão a via livre aos combustíveis fósseis, a cada dia, mais caros e lucrativos.

    E se Requião não sabe o que come, Lula não sabe o que diz, ou diz apenas o que é bom.
    Pajero 2P Mecânico 3.5 V6 - Flexa
    Engesa EE4 (motor Toy 14B) - ViraLatas

  • #83
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    29/05/2004
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    cara, a discussão tá ficando boa.

    já descambou pro lado pessoal, pra gasolina, pro álcool, pro direito e agora pra política.

    vamos por partes.

    motor 100% bio - só a título de lembrete, já que isso todos devem saber, o primeiro motor a diesel (que recebeu este nome por causa do seu inventor, cujo sobrenome era justamente Diesel) funcionou com óleo de amendoim. sim, 100% vegetal. foi depois substituído pelo óleo mineral que também acabou sendo batizado de diesel por causa do ciclo do motor. a substituição se deu em razão dos custos da época.

    é claro que tal fato não quer dizer devamos sair por aí colocando óleo vegetal em motores projetados para óleo mineral, mas eu acredito ser absolutamente viável a fabricação ou conversão de um propulsor para funcionar ou totalmente ou com grande percentagem de óleo vegetal.

    vamos falar dos custos:

    não acredito que os custos de produção inviabilizem o bio (não é o bill).

    só a título de lembrete. aqui na minha cidade, um litro de óleo de soja (que na verdade é 900ml) na prateleira do mercado custa mais barato que um litro de diesel na bomba do posto.

    quanto a este dado, deve-se ainda levar em consideração que o óleo comestível deve ser refinado e industrializado seguindo um rígido controle sanitário de esterilidade e ainda ser envasado litro a litro. entrando aí outros diversos custos (embalagem, rótulo). sem falar que o transporte é em caminhões baú e em caixas. já o diesel é "a granel" sem embalagem própria e trasportado em caminhões tanque. se o óleo vegetal seguisse também este "trilho", ficaria ainda mais barato.

    assim, difícil acreditar que o problema esteja só nos custos. está no sistema, na tributação, nos controles, na comercialização ou em outro lugar qualquer, ou em todos eles.

    vamos ver a parte política (também chamada ou mascarada de social)

    Marcelo, em primeiro lugar gostaria de te agradecer profundamente. voce realmente foi paciencioso ao despender seu tempo nos explicando muitas coisas, ainda mais levando algumas pedradas que, na minha opinião não foram merecidas e mesmo assim continuo firme. acho que todos devem ter direito a opinião, mas devem saber expressá-las. como dizia "che", enrijecer sim, mas sem perder a ternura.

    mas na verdade é uma bobagem excluir do programa alguns produtos como o soja, só para não beneficiar latifundiários, talvez a exclusão de algo mais viável, para fazer demagogia, custe caro lá na frente. isso é idéia de socialista (ideologia a que respeito, mas com a qual não concordo). vivemos em uma economia de mercado e se não se der espaço aos grandes, o programa não decola.

    tem gente capacitada e preparada. sabe a lei de Darwin, da teoria da evolução? pois é, o agricultor brasileiro sofreu com tantos desmandos, com tantos juros altos e com tanta falta de incentivo durante tantos anos, que muitos ficaram pelo caminho. só sobrou a nata, uma espécie de seleção natural. hoje o agricultor brasileiro, sem qq subsídio ou incentivo, muito pelo contrário, sempre pagando juros altos, insumos caros e máquinas a preços estratosféricos, compete com o mundo todo mesmo tendo os agricultores lá de fora os seus incentivos e muitos subsídios.

    não sou contra dar espaço aos pequenos, sou a favor. não é isso que está em discussão. mas pretender que pequenos agricultores recém assentados em programas de reforma agrária sejam a única fonte do bio, não me parece muito seguro para o futuro do programa. acho que há espaço para todos.

    além do que, não há nenhuma garantia de que o sojicultor, vendo futuro ou melhores lucros na mamona, não vá plantar no ano seguinte tal cultura em suas terras, isso com máquinas modernas, adubação de primeira, solo corrigido e tudo mais. certamente vai, vai produzir mais e melhor e ninguém pode impedí-lo.

    também há outra coisa, a EMBRAPA, esta magnífica empresa brasileira, certamente vai melhorar e muito as sementes para produzir mais óleo e de melhor qualidade, isso se o atual governo não a "sucatear" antes, pois é isso que vem fazendo com tão importante órgão.

    então, em suma, é a minha opinião: o programa é ótimo, é viável, acredito em seu futuro, mas está sendo lançado na contra-mão, como trunfo eleitoreiro e demagógico.

    espero que entendam o que eu disse.

    abraços.

  • #84
    So pra lembrar e constar:

    òleo vegetal é obtido a partir de diferentes culturas, amendoim, soja, mamona, babaçu, coco, bacuri, buriti, algodão, etc, etc, etc.

    O binômio soja-mamona é só uma alternativa, em funçao das áreas plantadas e disponíveis, a pesquisa é que tem de se aprofundar, identificando alternativas. (p.e. em MS bacuri é uma palmeira nativa, abundante e com potencial para produção de óleo).

    []´s

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