Tanque cheio de vento
Combustível caro, guerras no Oriente Médio, poluição. Com os problemas dos carros movidos a derivados do petróleo, vêm aí os movidos a qualquer coisa
Fabricio Rocha
Da equipe do Correio
Divulgação
Um dos protótipos construídos com o motor movido a ar: vendas anunciadas para começar em dezembro
Uma vez passou no Fantástico, há tempos, e muita gente já esqueceu. Mas, segundo a empresa inventora e fabricante, o carro movido a ar começará a ser fabricado e vendido daqui a pouco mais de três meses — quem quiser ser avisado pode se inscrever no site www.theair car.com . Preparem os bolsos, porque a previsão de preço lá fora é de algo entre US$ 8 mil e US$ 10 mil. Em compensação, você só vai gastar um dólar (ou menos) a cada 200 quilômetros com esse carrinho.
O motor a ar, inventado pelo ex-engenheiro de Fórmula-1 Guy Nègre, já foi visto, admirado e testado por vários jornais e revistas da Europa, além da equipe do referido Fantástico. Ele é uma das mais expressivas alternativas energéticas ao uso do petróleo e derivados como combustível — decerto o carro a álcool brasileiro foi a melhor delas, apesar de hoje estar entregue às traças por razões desconhecidas.
Entre essas razões, obviamente, deve estar a que sempre é apontada como principal nos fracassos de projetos desse tipo: o desinteresse da multibilionária e poderosa indústria do petróleo. Porém, o carro a ar da empresa luxemburguesa MDI, de Guy Nègre, tem argumentos fortíssimos a seu favor. Destaca-se acima de tudo a questão da poluição. O motor não tem combustão, não gera gases, e ainda filtra todo ar que tira da atmosfera.
O pequeno motor não tem, como era de se esperar, o mesmo desempenho de um motor a gasolina, mas proporcionalmente a seu tamanho o rendimento é considerável: com dois pistões e cilindrada de 0,566 litro, tem 25cv de potência (ver quadro). É suficiente para o uso urbano e, numa velocidade média de 50km/h, tem autonomia para rodar algo entre 200 e 300km, algo como 10 horas de uso. Os protótipos criados pela MDI, com 700kg e não muito aerodinâmicos, chegaram a 130km/h. A 100km/h, a autonomia do tanque fica em torno de 100km.
O abastecimento toma três a quatro minutos numa estação de ar comprimido, ou quatro horas com o compressor embutido no carro, que só precisa ser ligado a uma tomada. O óleo é trocado a cada 50 mil quilômetros, pois não há combustão, e para trocá-lo é só passar num supermercado e comprar uma lata de óleo de soja.
Só o carro a álcool brasileiro realmente emplacou, entre os vários projetos de motores com combustíveis alternativos feitos no mundo inteiro. Um dos mais badalados no Brasil, em meados de 1986, foi o motor Elko, que funcionava com gasolina, diesel ou qualquer óleo, mesmo óleo de cozinha usado. Funcionava bem e era muito econômico, conforme indicaram testes da revista Quatro Rodas. O motor Elko desapareceu depois que o Grupo Garavelo comprou sua licença de fabricação e faliu pouco tempo depois.
Se alguém quiser virar investidor e comprar a franquia da fábrica, ou só entender o motor:
http://www.motormdi.com



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