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    Conhecendo o fluido para transmissão automática (ATF)




    Sou assinante do Jornal Oficina Brasil e nas ultimas edições saiu um material interessante sobre ATF que vou copiar abaixo.

    Recomendo também se cadastrarem no site pra ter acesso à outras matérias


    Matéria da edição Nº211 - Setembro de 2008
    Texto: Carlos Napoletano Neto


    Técnica
    Parte 1 - Conhecendo o fluido para transmissão automática (ATF)


    Nesta série de matérias iremos conhecer um pouco mais sobre o fluido de transmissão automática, mais conhecido como ATF, que desempenha um papel vital no funcionamento deste dispositivo, e entender como executar uma manutenção adequada à transmissão dando mais atenção a este item.

    A tendência mais recente da tecnologia das transmissões automáticas é a redução de tamanho delas, e as companhias automobilísticas estão agora tentando desenvolver unidades automáticas que não necessitam de troca do fluido ATF. Assim sendo, as condições de utilização e requisitos de qualidade estão se tornando mais severos. As funções do ATF e seus requisitos estão descritos a seguir.



    Funções do ATF:

    &bull transmissão de força no conversor de torque

    &bull lubrificação da unidade da transmissão

    &bull geração de força para aplicação das embreagens e freios

    &bull geração de movimento para as válvulas no corpo de válvulas



    Entre os requisitos para o ATF, podemos destacar o coeficiente correto de atrito, a fluidez excelente a baixas temperaturas, a baixa alteração no índice de viscosidade, não possuir tendência de produzir bolhas e borra, e não atacar os materiais de vedação.



    Coeficiente correto de atrito

    A embreagem multidiscos atuada hidraulicamente é um item interno da transmissão, e o ATF executa um papel importante na operação da transmissão automática. Desde que o ATF contém substâncias que geram atrito, ele também contribui para prolongar a vida útil dos discos revestidos da embreagem da transmissão automática. Assim sendo, uma atenção especial é dada às características de atrito nos testes de certificação de qualidade do ATF.

    É necessário que as características de atrito do ATF sejam contrabalançadas com a devida oleosidade. Também, os coeficientes de atrito estático e dinâmico deverão estar corretamente balanceados entre si. Por exemplo, se o coeficiente de atrito dinâmico for muito pequeno, haverá tendência de ocorrer patinação quando a embreagem for aplicada e isto causará um tempo de mudança mais longo. Se o coeficiente de atrito estático for muito grande, uma mudança drástica de torque poderá ocorrer no final da seqüência de aplicação da embreagem produzindo um choque na mudança (tranco), fazendo com que o motorista sinta uma sensação extremamente desagradável durante as mudanças.

    Conforme mencionado acima, o ATF executa um papel importante na operação da transmissão automática. E também afeta diretamente o material de atrito dos discos de embreagem. Perceba, portanto, que um cuidado especial deve ser tomado quando você selecionar um ATF para uso em um câmbio automático. Não é somente o custo do litro de ATF que tem que ser levado em conta na hora da reposição, mas também os efeitos adversos que um fluido mais barato e não recomendado poderá causar se for utilizado sem critério. Por isso deve-se utilizar o fluido ATF indicado pelo fabricante do veiculo ou da transmissão, que fez os devidos testes e sabe destes efeitos muito bem.



    Não produzir bolhas

    Se houver produção de bolhas ou espuma no ATF, a sucção da bomba de óleo será reduzida e também haverá uma diminuição na pressão do sistema devido à intrusão de ar no fluido. Quando ocorre deterioração das condições de trabalho do circuito hidráulico, a aplicação e desaplicação das cintas e embreagens da transmissão não ocorrem suavemente e haverá patinação das embreagens. Quando a viscosidade do ATF é alta, poderá haver a ocorrência de bolhas. Para evitar este efeito adverso, um ATF com menor índice de viscosidade é utilizado nas transmissões automáticas.



    Fluidez excelente

    Se a viscosidade do ATF for alta a baixas temperaturas, o desempenho do circuito hidráulico será muito baixo. Em particular, se o desempenho da bomba de óleo diminui, a pressão hidráulica gerada por ela irá diminuir também nas válvulas de controle, causando patinação e queima das embreagens. Por isso se exige que a viscosidade do ATF não aumente mesmo em baixas temperaturas.



    Índice de viscosidade

    A viscosidade do ATF deverá se alterar muito pouco entre a mais baixa e a mais alta temperatura. Quer dizer, é necessário usar o ATF com alto índice de viscosidade (e não uma alta viscosidade). Quanto maior o índice de viscosidade, menor as mudanças de viscosidade em função da temperatura. A viscosidade do ATF deverá ser baixa a baixas temperaturas conforme mencionado antes, e também não poderá variar significativamente quando a temperatura aumenta. De outro modo, um efeito adverso será sentido na lubrificação das diversas peças internas da transmissão.



    Borra

    Desde que o ATF é aquecido a altas temperaturas durante sua operação, é necessário que seja minimizada a produção de borra. Se houver depósitos de borra nas embreagens multidiscos de uma transmissão automática, haverá tendência à patinação das embreagens e cintas. Também, a borra no corpo das válvulas de controle causará mau funcionamento de todo o sistema. Para prevenir este tipo de problema, é necessário utilizar ATFs que possuam em sua formulação um aditivo que elimine a formação de borra.



    Materiais de vedação

    Uma grande variedade de materiais de vedação é utilizada numa transmissão automática. Se estes materiais de borracha endurecerem, deformarem ou encolherem, haverá problemas de funcionamento na transmissão. Por exemplo, se um anel de borracha no conjunto do pistão de uma embreagem estiver danificado, será impossível andar com o veículo. Se qualquer outra peça de vedação estiver estragada, o ATF poderá vazar. Para prevenir tais problemas, é necessário que o ATF não ataque os materiais de vedação feitos de borracha.



    Padrões industriais

    Na indústria automobilística existem dois padrões representativos para o ATF. Aquele especificado pela General Motors (GM) e o especificado pela Ford. O ATF utilizado nos veículos GM é chamado DEXRON, e os utilizados em veículos Ford são chamados TIPO F ou MERCON. Muitos tipos de ATF oferecidos pelos fabricantes de lubrificantes são produtos que foram aprovados pela GM ou pela Ford. Nos anos mais recentes, contudo, cada fabricante de automóveis está se voltando para a utilização de seu próprio ATF, ao invés de utilizarem ATFs aprovados por estas duas montadoras. A Tabela 1 mostra o progresso no desenvolvimento do ATF pela GM e pela Ford apenas como referência.



    Também, como referência, as características de atrito dos ATFs da GM e Ford são comparadas abaixo, na figura 1.



    Tendências Recentes

    Veículos equipados com transmissão automática estão ganhando cada vez mais popularidade no mercado. Em particular, avanços recentes na eletrônica possibilitaram incorporar mais circuitos eletrônicos de controle de mudanças nos veículos automáticos. Desde que o tamanho dos câmbios automáticos está se tornando cada vez menor, a quantidade de ATF utilizado para sua operação é menor, resultando em pronto aumento de sua temperatura. Também, para a implementação do controle eletrônico, a variação na viscosidade e características de atrito do ATF deve ser minimizada. Assim sendo, os requisitos de qualidade para o ATF estão se tornando mais severos

    FONTE: http://www.oficinabrasil.com.br/noticias/?COD=3630

  2. #2
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    Matéria da edição Nº212 - Outubro de 2008
    Texto: Carlos Napoletano Neto


    Técnica
    Parte 2 - Conhecendo o fluido para transmissão automática (ATF)


    Na edição anterior, apresentamos as funções, os requisitos, os padrões industriais e as tendências recentes do ATF. Neste mês, mostraremos as diferenças na lubrificação entre óleo de motor e óleo para transmissões automáticas, as características de atrito e uma introdução à manutenção do ATF.



    Óleo de motor

    No motor, o cárter armazena o óleo utilizado pelo mesmo. O óleo é sugado pela bomba de óleo e partículas sólidas (partículas abrasivas) contidas nele são retidas pela peneira do pescador que faz parte do circuito de lubrificação. Adicionalmente, após ser pressurizado pela bomba de óleo, ele é filtrado através do elemento filtrante e então distribuído à cada peça móvel para lubrificação. Se o elemento filtrante entupir (por não ter sido substituído há muito tempo), uma válvula de desvio garante a lubrificação do sistema diretamente às peças móveis, ainda que sem filtrar.



    O elemento filtrante (feltro) ou a tela são dimensionados exatamente para impedir que algumas partículas circulem no interior da transmissão.

    ATF

    Na transmissão automática, o ATF armazenado no cárter de óleo é filtrado da mesma maneira que o óleo do motor. Note, contudo, que o filtro é diferente em princípio daquele utilizado no motor.

    O filtro utilizado na transmissão automática consiste de um elemento de tela muito fina ou feltro. Desde que ele está habilitado a filtrar partículas muito pequenas e pó com alta eficiência, é muito mais propenso a ficar obstruído.

    Se o filtro entupir, torna-se impossível sugar o ATF pela bomba, desde que uma válvula de desvio que existe no motor, não existe no câmbio automático. Assim sendo, a obstrução do filtro fará com que a pressão do sistema diminua. Também, neste caso, as embreagens multidiscos e as cintas patinarão, causando um efeito adverso na operação da transmissão.

    No motor, se ocorrer uma lubrificação anormal, o interruptor de pressão de óleo do motor detectará esta condição e acenderá a lâmpada indicadora de baixa pressão de óleo no painel, alertando o motorista. Em contraste, mesmo se ocorrer uma lubrificação anormal na transmissão automática, este tipo de aviso não é dado ao motorista. Uma vez que o filtro da transmissão fique obstruído, ele não poderá ser recuperado com a simples troca do ATF.



    Causas de obstrução

    Diferente do motor, a transmissão automática utiliza força de atrito para transmissão de potência. Assim sendo, a embreagem multidiscos realiza a mudança de marchas e a cinta de freio trava as engrenagens do conjunto. Materiais de atrito são utilizados nesses componentes. É normal que partículas (pó de disco ou da cinta) provenientes destes materiais sejam produzidas durante o seu trabalho. Também, desde que o contato destes materiais é realizado com discos ou tambor de metal, pó metálico pode ser liberado. Quer dizer, estas partículas ficam em suspensão no ATF que circula pelo câmbio.

    Para a remoção deste pó metálico (pó gerado pelo desgaste), a transmissão automática é equipada com um ou vários ímãs que coletam este material.



    Atrito do ATF

    Na transmissão automática, a embreagem multidiscos úmida é utilizada para conectar/desconectar o torque proveniente do motor. O ATF fornece lubrificação e arrefecimento para as embreagens. E a característica de atrito do ATF tem efeito considerável no desempenho das mudanças de marcha no momento de sua aplicação e na durabilidade das peças.

    Analisemos como a embreagem multidiscos opera. Quando a pressão do ATF é exercida no pistão, dentro da carcaça da embreagem, o pistão se move para a frente. Assim, a pressão da embreagem é usada para aplicar o disco revestido no disco de metal. Em geral, onde se tem quatro discos revestidos tem-se também cinco discos metálicos (placas). À medida que se aumenta o numero de discos que compõem uma embreagem, uma força maior é obtida e transmitida.

    No caso em que os discos revestidos estejam do lado motriz, a placa metálica ou disco estará do lado movido. A força é assim transmitida pelo caminho a seguir: disco de embreagem &rarr placa metálica &rarr carcaça da embreagem &rarr engrenagem. Na transmissão de força, uma força de atrito é produzida entre a superfície do disco de embreagem (material de fricção) e a superfície do disco metálico. Sob esta condição, o ATF executa um papel importante na operação.


    Por meio deste equipamento o reparador consegue realizar, além de uma troca do óleo da transmissão, a limpeza interna do câmbio. Esse procedimento é necessário para preservar a durabilidade dos componentes



    O ATF age como meio de prolongar a durabilidade das peças e reduzir o choque nas mudanças de marchas. É altamente desejável numa transmissão automática que a aplicação da embreagem seja realizada no menor tempo possível. Em geral, 0,5 segundo é recomendado como tempo de duração da mudança. Se ele se tornar maior do que 1 segundo, a embreagem patinará, causando um efeito danoso aos discos.

    Mesmo se um ATF de alta qualidade compatível com a transmissão for utilizado, a deformação do disco revestido ou do disco metálico diminuirá a força de atrito, pela diminuição da superfície de trabalho. Neste caso poderá ocorrer patinação da embreagem. Por ocasião da reforma, se torna necessário verificar os discos e placas metálicas cuidadosamente. Se em dúvida, substitua as peças afetadas sempre que possível. Conforme pode ser depreendido do exposto acima, é necessário que os discos revestidos e as cintas sejam imersos em ATF por ocasião da montagem.

    Manutenção do ATF

    As três maiores possíveis causas da deterioração do ATF são:

    &bull Um aumento na temperatura do fluido devido a superaquecimento do motor ou uso severo da transmissão.

    &bull Patinação dos conjuntos de embreagens multidiscos da transmissão automática.

    &bull Degradação do ATF devido à utilização prolongada sem troca.

    A deterioração do ATF (falha na transmissão automática) pode ocorrer devido à estas possíveis causas em muitos casos. Danos na embreagem por ela mesma muitas vezes é causada por um problema esporádico.


    Algumas destas embreagens do câmbio contêm um revestimento para transmitir um atrito eficiente entre os discos e por fim conduzir a rotação do motor as marcha selecionada

    É amplamente conhecido que as características de atrito do ATF são degradadas significativamente pelo aumento da temperatura. Se o veiculo funciona em regime de tráfego intenso no anda-e-pára da cidade e congestionamentos por um longo tempo ou em um circuito de corridas, a temperatura do ATF aumenta grandemente. No caso de um congestionamento pesado de tráfego, a temperatura do ATF pode aumentar para mais de 120º C, promovendo sua oxidação. Quando é assim oxidado, depósitos de borra ou goma são gerados e aderem aos discos e cintas, causando patinação.

    É muito difícil determinar a freqüência com que o ATF deve ser substituído (pela distância percorrida). Desta maneira, deve ser verificado quanto à oxidação (deterioração) freqüentemente. Nessa verificação, pode-se julgar sua coloração. Ou, para manter o ATF em boas condições, substituí-lo periodicamente. É difícil entender como alguns fabricantes de transmissões automáticas dizem que suas unidades não necessitam de substituição do ATF. Em termos de características de atrito, sempre será uma boa estratégia substituí-lo periodicamente.



    Arrefecimento

    O ATF é alimentado desde a saída da bomba até o conversor de torque, que é utilizado como importante meio de transmissão de potência. Desde que o trabalho do conversor de torque gera muito calor por atrito, a temperatura do ATF aumenta inevitavelmente. Assim, é necessário fazer com que o ATF saia do conversor de torque para ser arrefecido. Normalmente, ele é forçado para fora do conversor através de uma tubulação metálica até o radiador do ATF, que pode ou não ser construído junto com o radiador de arrefecimento do motor. Após o ATF ter sua temperatura reduzida, volta a circular pela linha de retorno até a transmissão para cumprir sua missão de lubrificação nas peças internas.

    Sendo assim, a limpeza das linhas de arrefecimento e do radiador é um dos itens principais na manutenção do ATF.



    Durabilidade

    Conforme mencionado antes, o ATF desempenha um papel chave na transmissão automática. Não é exagero afirmar que a maior prioridade a ser dada na manutenção do câmbio automático é a preocupação com o ATF. Os pontos a seguir descrevem bem como lidar com a sua manutenção de maneira correta.

    &rarr placa metálica &rarr carcaça da embreagem &rarr engrenagem. Na transmissão de força, uma força de atrito é produzida entre a superfície do disco de embreagem (material de fricção) e a superfície do disco metálico. Sob esta condição, o ATF executa um papel importante na operação.

    FONTE: http://www.oficinabrasil.com.br/noti...x.asp?COD=3673

  3. #3
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    Matéria da edição Nº213 - Novembro 2008
    Texto: Carlos Napoletano Neto


    Técnica
    Parte 3 - Conhecendo o fluido para transmissão automática (ATF)


    Na edição anterior vimos as diferenças na lubrificação entre óleo de motor e óleo para transmissões automáticas, as características de atrito e uma introdução da manutenção do ATF.

    Na terceira é última parte desta seqüência de matérias sobre fluido para transmissão automática veremos que a coloração indica se o ATF está bom ou não, além dos significados das diversas cores que o fluido pode apresentar, assim como os procedimentos de como verificar o nível e fazer a substituição do fluido.



    Coloração

    Para se julgar se o ATF está ou não está bom, é uma prática comum verificar sua coloração. Muitos tipos de ATFs utilizados hoje em dia possuem cor vermelha transparente, e assim é fácil distingui-lo de outros lubrificantes do veículo. Para efeito de comparação, é aconselhável colocar um vasilhame transparente com ATF novo ou algo semelhante. Utilizando sua cor como referência, examine o fluido retirado da transmissão sob teste. A cor do ATF muda com a condição de uso. Dessa forma, ao verificar sua cor, você conseguirá saber o grau de deterioração do mesmo, bem como a condição dos discos e cintas internos da transmissão, se estão danificados ou não.

    Nas transmissões automáticas convencionais, buchas e peças de latão são utilizadas. Note que as peças feitas desse material são passíveis de reagir quimicamente com o ATF causando sua deterioração. Em muitos tipos de transmissões automáticas mais recentes, peças e buchas de latão estão sendo substituídas por outras, de liga de alumínio, com o propósito de evitar a deterioração do ATF. Por conta disso, algumas pessoas dizem que não é necessário substituir o ATF. Contudo, se este for utilizado sob condições severas, sofrerá aquecimento até altas temperaturas repetitivamente, o que também o deteriora. Assim, considerando tal tipo de utilização, não é recomendável deixar o ATF sem substituição por longos períodos de tempo.



    Temperatura e vida útil

    Um teste de durabilidade desenvolvido nos Estados Unidos e Japão indicou a relação entre a temperatura do ATF sob operação e sua vida útil em termos de distância percorrida acumulada (quilometragem). Por exemplo, se a temperatura do ATF que está sendo utilizado for de 80°C, ele permanecerá utilizável até uma distância percorrida de 84 mil quilômetros ou mais. Se a temperatura de trabalho for de 100°C, ele deverá ser substituído por um novo quando o veículo tiver percorrido no máximo a distância de 80 mil quilômetros. Adicionalmente, se a temperatura do ATF sob operação for aumentada em aproximadamente 15°C, ele irá se deteriorar significativamente, causando acúmulo de verniz (sua viscosidade muda para um líquido mais grosso, semelhante ao verniz). Neste caso, o ATF deverá ser substituído quando o veículo atingir uma distância percorrida de somente 40 mil quilômetros. Também, se a temperatura do ATF subir em trabalho para 150°C, poderá haver tendência de patinação dos discos e cintas e o fluido deverá ser substituído após o veículo percorrer uma distância acumulada de apenas 6.400 quilômetros. Se a temperatura exceder 160°C, a embreagem multidiscos será destruída pela queima e o ATF será carbonizado, danificando os vedadores da transmissão. Esses são alguns dos resultados do teste desenvolvido nos Estados Unidos e Japão.

    Toda limpeza do sistema deverá também compreender a limpeza da tubulação, do radiador e do conversor de torque, pois sabemos que qualquer quantidade de fluido oxidado, se deixado no sistema, rapidamente influenciará a oxidação do fluido novo substituído, apressando seu processo de deterioração.

    Conforme aprendemos do exposto acima, um aumento ainda que pequeno na temperatura do ATF certamente resultará em sua deterioração mais rápida. O resultado aparecerá como descoloração. Nos serviços de manutenção, certifique-se de verificar a cor do ATF meticulosamente.

    Para a verificação da cor do ATF, remova o tampão de dreno e extraia uma amostra de ATF num reservatório transparente. Então, observe-a cuidadosamente. Se houver qualquer indício de problema na transmissão automática, você achará pó metálico ou partículas de desgaste (limalhas) contidas no ATF. Assim, torna-se possível localizar uma peça danificada ou gasta e identificar também sua condição.



    Vermelho

    Quando o ATF está normal, ele possui uma cor vermelha ou amarela altamente transparente. Utilize a cor do óleo novo como referência.



    Marrom

    Se o ATF demonstrar uma coloração marrom, significa que foi utilizado em condições severas. Desde que o ATF foi exposto a altas temperaturas por longo tempo, sua deterioração causou descoloração. Neste estado, ele possui um ligeiro cheiro de queimado e baixa viscosidade, mostrando similaridade com o thinner. Este estado deteriorado do fluido (cor marrom, cheiro de queimado, baixa viscosidade) pode ser identificado facilmente. Embora seja difícil expressar sutis diferenças de cor acuradamente em palavras, a coloração marrom devido à deterioração pode ser expressa como um vermelho descorado. Se o ATF for utilizado por um longo tempo (sem substituição), sua cor poderá mudar para marrom carregado também. Em tais casos, substitua o ATF por um novo imediatamente.



    Preta

    Se a cor original vermelha ou amarela se tornar preta (a transparência diminuiu ou ficou totalmente opaca), ele pode estar contaminado com pó de discos de embreagens queimados da transmissão. Ou poderá ter sido contaminado com pó metálico proveniente das buchas ou engrenagens. Em particular, a cor do ATF se torna preta rapidamente quando pó proveniente de desgaste das buchas de alumínio estiver misturado a ele. Se o veículo for conduzido continuamente nestas condições, poderá ocorrer ruído anormal e patinação das embreagens e cintas. Neste caso, a transmissão automática deverá ser reformada imediatamente. Caso contrário, os componentes internos da transmissão sofrerão danos consideráveis, resultando num aumento dos custos de reparo.

    Também, mesmo se o veículo for conduzido normalmente, as peças internas do câmbio sofrerão desgaste acentuado devido ao fluido ATF apresentar partículas sólidas e/ou metálicas em suspensão. Como medida temporária, retire o cárter de fluido e remova o pó metálico ou pó dos discos de dentro dele. Limpe ou troque o filtro de óleo, e substitua o ATF por um novo. Verifique então se a transmissão opera normalmente ou não. Se ocorrer ruído anormal ou patinação das embreagens, será necessária a reforma completa da transmissão imediatamente.



    Xarope

    Se o ATF for exposto a temperaturas extremamente altas por um longo período de tempo e a alteração de coloração e estado do fluido estiver como acima descrito, o ATF se tornará altamente viscoso, como um verniz. Nesse estado, as peças que utilizam os discos de embreagem e cintas já estão desgastados e danificados extensamente, sendo inútil substituir o fluido ATF. No caso, o ATF possui cheiro de queimado das embreagens multidiscos e cintas. Se a transmissão automática for utilizada continuamente sob estas condições, ocorrerá travamento no corpo de válvulas de controle ou o conversor de torque poderá ser danificado significativamente.



    Coloração Opalescente

    O ATF se torna opalescente se houver água misturada com ele assim como no óleo do motor. Isto ocorrerá quando o radiador do ATF, que utiliza água do sistema de arrefecimento do veículo, estiver quebrado ou danificado. Neste caso, deve-se reparar o radiador e substituir completamente o ATF por um novo. Deverá ser tomado cuidado especial na limpeza de toda a linha de arrefecimento e do conversor de torque. Observamos que o liquido de arrefecimento reage com o ATF causando sua e resultando em trancos na aplicação e desaplicação das marchas.

    Por ocasião da reforma da transmissão, deve-se proceder à total limpeza das peças internas e da carcaça. Se a transmissão for remontada com resíduos de umidade e depósitos estranhos (resultantes da reação com o líquido de arrefecimento e o ATF), este se deteriorará rapidamente, causando danos à transmissão em pouquíssimo tempo e gerando a necessidade de reformá-la novamente com baixíssima quilometragem. Para evitar isso, limpe as peças cuidadosamente antes da reforma. Não esqueça de limpar o conversor de torque.

    Esperamos aqui ter esclarecido algumas dúvidas comuns a respeito do ATF e seu procedimento de troca, bem como fornecido informações pertinentes aos técnicos reparadores para executar um melhor serviço aos usuários de veículos automáticos no Brasil. Até a próxima.



    Como medir o nível do ATF corretamente:

    (1) Estacione o veículo em uma superfície plana.

    (2) Aqueça o veículo até a temperatura normal de funcionamento (em torno de 70 a 80°C).

    (3) Mantenha o motor funcionando em marcha lenta.

    (4) Posicione a alavanca seletora de marchas em cada posição por pelo menos 30 segundos (para encher de ATF cada componente interno). Posicione então a alavanca em "P" (na maioria das transmissões).

    (5) Retire a vareta medidora, limpe-a e insira-a novamente, medindo então o nível. Ele deverá estar entre as marcas "MIN" e "MAX" da vareta.

  4. #4
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    CONTINUAÇÃO...


    Dicas

    Ao realizar o procedimento de verificação do nível do ATF:

    &bull Verifique o nível somente após o aquecimento do fluido da transmissão. Quando a transmissão está funcionando, a temperatura do ATF aumenta causando sua expansão térmica. Por exemplo, se o nível do ATF for verificado enquanto a transmissão estiver fria, a leitura indicará nível baixo. Suponha que o nível seja completado nesta ocasião. Então, quando a transmissão aquecer, o volume do ATF estará acima do máximo devido à expansão térmica. Assim, ele entrará em contato com as partes giratórias da transmissão causando espuma no fluido. Se a espuma (ar diluído no óleo) for aspirada pela bomba, isto causará cavitação e conseqüente baixa pressão do sistema, queimando os componentes internos da transmissão. Além do mais, a espuma causará aumento de fricção e patinação, gerando mais calor, que por sua vez causa a deterioração do ATF. Excesso de ATF pode ser espirrado para fora da transmissão, gerando risco de incêndio. Para evitar todos estes problemas, somente verifique o nível do ATF com a transmissão na temperatura normal de trabalho. Se, por outro lado, o nível do ATF estiver muito baixo, em curvas ele poderá faltar na linha de sucção da bomba, causando patinação e vazio nas marchas, queimando os conjuntos de embreagem. Ocorrerá patinação dos conjuntos pela manhã, quando o veículo estiver frio, mas após seu aquecimento, ele funcionará normalmente. Se o veículo funcionar continuamente nestas condições, as peças internas sofrerão desgaste muito alto causando patinação constante e outros problemas.

    &bull Nunca utilize estopa ou panos que liberem fiapos para limpar a vareta medidora de fluido da transmissão. Ao limpar a vareta medidora, dê preferência a panos de nylon para evitar que fiapos penetrem no fluido, causando entupimento do filtro ou interrupção do movimento das válvulas no corpo de válvulas. Ou utilize uma pistola de ar comprimido para isto.

    &bull Verifique o nível do ATF com o motor em funcionamento. É necessário que o fluido esteja em cada peça da transmissão. Note que o nível do ATF varia de acordo com o funcionamento do motor. Por exemplo, mesmo se o nível do ATF verificado na transmissão parecer estar OK com o motor parado (dentro das marcas), ele poderá descer muito abaixo do mínimo com o motor funcionando, em virtude do enchimento do conversor e de outras peças internas da transmissão, causando falta de fluido e problemas com a transmissão ao longo do tempo.

    &bull Meça o ATF algumas vezes com o veículo em uma superfície plana.

    &bull Sempre estacione o veiculo no plano, para evitar falso resultado na medição. Meça o fluido algumas vezes. Com o motor funcionando, pingos de ATF caem das engrenagens causando flutuação na superfície do ATF. Se o volume do ATF for insuficiente, certifique-se de inspecionar a transmissão também quanto a vazamentos.

    Colaborou Marcus Vinícius Prado,
    da Pradmatic - (11) 3887-8978 pradomatic@uol.com.br

    Procedimento para substituir o ATF

    Descarregue o ATF soltando o bujão de dreno.

    Para remoção do ATF desde o cárter, solte o bujão de dreno.

    A simples substituição do fluido contido no cárter não garante a troca total do fluido da transmissão, mas é suficientemente efetivo para assegurar uma operação normal da transmissão automática.

    O ATF remanescente no conversor de torque não poderá ser substituído somente soltando-se o bujão do cárter. Quando o motor funciona após descarregar o ATF presente no cárter, o ATF do conversor não retorna ao cárter. Quando não houver ATF no cárter, a bomba somente sugará ar e não aplicará pressão ao ATF do conversor. Abastecendo o cárter com fluido ATF novo, a bomba conseguirá empurrar o fluido velho gerando pressão nesta ocasião, e só então ele voltará para o cárter.

    Note que o ATF que estava no conversor de torque não poderá ser removido somente retirando-se o fluido velho do cárter.



    Substituição através da mangueira de retorno no radiador

    Em muitas transmissões automáticas modernas é utilizado o método de arrefecimento através da água do radiador. O ATF que retorna do conversor de torque vai diretamente ao radiador através da tubulação própria. A conexão desta mangueira poderá ser utilizada para esvaziar o ATF velho do sistema pelo novo. Remova o tubo de retorno do ATF que sai do radiador e entra na transmissão, e conecte um dispositivo trocador de fluido nela. Posicione uma bacia limpa de alumínio debaixo do veículo e ligue o motor. O ATF velho irá ser recolhido pelo reservatório. Utilizando o trocador de fluido, alimente com ATF novo seu reservatório de acordo com o volume que foi descarregado. Quando um certo volume de ATF for descarregado, pare o motor. Monte então a mangueira de volta, desconectando o trocador de fluido, tomando cuidado para não deixar nada vazando, e complete o nível do ATF na transmissão.






    FONTE: http://www.oficinabrasil.com.br/noticias/?COD=3715

  5. #5
    Muito boa a matéria

    Valeu Elmer

    Abraço

  6. #6
    Usuário Avatar de Glaicon
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    Leitura importante

    Na medida que a transmissão automática se torna cada vez mais comum, considero relevante atualizar este tópico para que todos tenham a chance de bem avaliar o seu veículo, ou até tomar parâmetros para aquisição de um automóvel usado com este acessório.
    E parabéns ao Elmer pelo compêndio.
    Boa leitura!

  7. #7
    Usuário Avatar de Schuinka
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    Citação Postado originalmente por Glaicon Ver Post
    Na medida que a transmissão automática se torna cada vez mais comum, considero relevante atualizar este tópico para que todos tenham a chance de bem avaliar o seu veículo, ou até tomar parâmetros para aquisição de um automóvel usado com este acessório.
    E parabéns ao Elmer pelo compêndio.
    Boa leitura!
    ...tô entrando agora no mundo dos automáticos, nossa não sei nada mesmo, seguinte galera, tenho uma pajero io, foi trocado o oleo da transmissão, acho q nao foi colocado o oleo correto, o carro começa a trepidar quando ando e aumento o giro do motor, isso pode acontecer devido ao óleo incorreto? andei algo em torno de uns 30 km, será que pode ter danificado algo? o que tenho que fazer agora? obrigado

  8. #8
    Usuário Avatar de Glaicon
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    Citação Postado originalmente por Schuinka Ver Post
    ...tô entrando agora no mundo dos automáticos, nossa não sei nada mesmo, seguinte galera, tenho uma pajero io, foi trocado o oleo da transmissão, acho q nao foi colocado o oleo correto, o carro começa a trepidar quando ando e aumento o giro do motor, isso pode acontecer devido ao óleo incorreto? andei algo em torno de uns 30 km, será que pode ter danificado algo? o que tenho que fazer agora? obrigado
    Se a caixa automática estava boa, a troca por óleo de especificação incorreta não chegará ao ponto de danificá-la.
    Fará apenas funcionar de maneira estranha.
    A substituição pelo óleo correto, juntamente com o filtro, resolverá seu problema.
    O nível correto do óleo também é fundamental.
    Depois da troca na minha Sport, ela dava uns pequenos trancos enquanto parado em sinaleira.
    Na oficina verificamos o nível um pouquinho acima do máximo. Retiramos o tanto necessário e ficou perfeito.
    Porém, todavia, contudo, se o óleo anterior do seu carro já estava escuro e opaco, ele estaria evidenciando a falta de cuidado do dono anterior.
    Assim, a troca do óleo provocaria uma remoção de diversas partículas soltas dos componentes desgastados da transmissão, tornando-a aparentemente "pior do que antes".
    A culpa não é do óleo. Ele apenas cumpriu sua missão de levar junto a sujeira que tinha no sistema.
    É certo que você não deverá lembrar da coloração do óleo antigo.
    Nesse caso, deverá ir em oficina de sua confiança para análise e eventuais reparos.
    E boa sorte.

  9. #9

    oleo no radiador

    solicito uma ajudo de quem conhecer...tenho um grabde cherokee larde ano 98 ..no radiador esta entrando olheo mas o que tudo indica nao é do motor pois é um oleo +- rosa que parece ser da caixa entao gostaria de saber se alguem sabe se é da caixa e como resolver isso..pois tem dois tubo que saem do radidador de agua e vao ate a caixa automatica....jonas bairros

  10. #10
    Usuário Avatar de Fabiano Klug
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    Otimo, ja estou gravando essas informações.

  11. #11
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    Muito bom, estava precisando dessas informações pois vou ter que trocar o fluido da transmissão e o pessoal que procurei não parece dominar bem, acho que vou me preparar para eu mesmo fazer a troca. Valeu!!

  12. #12
    Usuário Avatar de Desnickadu
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    excelente materia!
    Achei estranho alguns termos utilizados, mas no geral de facil compreenção e bem detalhada!
    "Falo isso para o meu psiquiatra, mas é claro que ele não entende!"

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