• Volkswagen Tiguan 2.0 TDI Bluemotion Trend: Regresso ao ringue

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    Está cada vez mais disputado o segmento dos SUV!... Com o número de candidatos ao trono do Nissan Qashqai a crescer de dia para dia, até mesmo as propostas já instaladas não podem deixar-se dormir à sombra dos resultados, razão pela qual, quatro anos após o lançamento, a Volkswagen submete o seu Tiguan a um tratamento de rejuvenescimento, dotando-o de imagem mais actual, melhores conteúdos… e uma maior adequação à realidade actual! Para o SUV alemão, trata-se de um regresso ao centro do ringue… resta saber se com força suficiente para vencer!Qashqai, Captiva, Sorento, 3008, Duster e Kuga, são apenas algumas (poucas) das muitas propostas que, hoje em dia, facilmente ocorrem a qualquer condutor português no momento de escolher um veículo diferente, capaz de projectar não apenas um estilo de vida, mas também uma imagem, de maior aventura, de maior audácia. Mesmo que, depois, a utilização mais radical não passe de subir uns quantos passeios mais altos ou enfrentar algumas das «crateras» mais profundas que muitas vezes existem nas nossas cidades…

    Com preços cada vez mais competitivos e, não raras vezes, até mesmo bastante próximos dos do segmento que lhes serve de base (o C, dos familiares compactos), a ofensiva das marcas no domínio dos automóveis que parecem, mas não são (verdadeiros todo-o-terreno, bem entendido…), revela uma postura cada vez mais agressiva, com cada construtor a tentar garantir um quinhão significativo de um mercado para o qual também são cada vez mais os clientes a dedicar-lhe maior atenção. Muitos deles, à procura, inclusivamente, daquele que será o seu primeiro carro…

    Ciente desta realidade, a Volkswagen procura não deixar cair o seu Tiguan para os lugares do fundo do pelotão, submetendo-o a acção de actualização, não apenas cosmética, mas também em termos de conteúdos e até de mesmo de motorizações.

    E se, no capítulo da estética exterior, as alterações são de pouca monta e visam, principalmente, uma aproximação visual ao «irmão maior» Touareg (quer na secção frontal, agora mais «rasgada» e com as ópticas a acompanharem as linhas do capot; quer atrás, com farolins visualmente muito parecidos aos do Touareg, ainda que com a matricula deslocada para o pára-choques), já no interior do habitáculo, a par da já conhecida e reconhecida qualidade de construção e de materiais (mesmo com algumas plásticos mais «duvidosos», devido à rijeza e agressividade ao toque), é possível encontrar um tablier concebido segundo os mesmos princípios do modelo anterior. Ou seja, em que a simplicidade, funcionalidade e robustez surgem como os princípios fundamentais.

    A comprová-lo, bastará citar qualidades como o bom acesso ao habitáculo (mesmo que um pouco alto) e à generalidade dos comandos, os vários espaços de arrumação abertos e fechados, os porta-copos e o bom porta-luvas, ou até mesmo o engenhoso sistema de rebatimento (40/20/40) dos bancos traseiros (o do meio, passível de ser transformado em encosto de braço… e com porta-copos integrado), os quais, além de ajustáveis longitudinalmente, permitem, através do accionar de uma só alavanca, rebater as costas e baixar a altura do banco numa só operação, desvendando, a partir daí, uma continuação praticamente na horizontal (mas também com uma pequena vala entre as duas placas) do piso da bagageira. A qual, acrescente-se, já revela uma boa capacidade à partida (470 litros), além de óptimo acesso (através de um portão enorme, um pouco pesado, mas com pegas na base) e com vários soluções de funcionalidade, como os espaços de arrumação por baixo do piso falso, a tomada de 12V e até mesmo um suplente… de emergência!

    O equipamento é, de resto, outro dos itens que acabou melhorado face ao antecessor, com elementos como o travão de mão eléctrico, o sistema auto-hold, o ESP, o volante multifunções, os sensores de luz e chuva, o ar condicionado automático, o cruise control, as barras longitudinais no tejadilho, as jantes em liga leve e até as luzes diurnas, entre outros, a fazerem parte do pacote de série, deixando para a (longa) lista de opcionais soluções como os sensores de estacionamento, os estofos em pele ou os faróis de xénon. O que, diga-se de passagem, até se percebe melhor agora, face ao facto da novo Tiguan custar, actualmente, menos que o seu antecessor (uma descida no preço de pouco menos de dois mil euros)… mas, ainda assim, continuar mais caro do que grande maioria dos rivais.

    A atenuar tal handicap, poder-se-á, no entanto, salientar o facto do mais pequeno dos SUV do construtor alemão continuar a evidenciar uma habitabilidade muito convincente, mesmo para cinco ocupantes (até porque o túnel de transmissão é praticamente inexistente!); uma preocupação com o conforto de todos os passageiros de elogiar (além de estarem colocados tipo anfiteatro, os bancos traseiros possuem costas com vários níveis de inclinação); ou até mesmo da posição de condução continuar a cotar-se em plano muito agradável, ainda que com o volante, com óptima pega e ajustável em altura e profundidade, a teimar em não ficar suficientemente na vertical. Ajudada, depois, por um banco que, mesmo sem grande apoio lateral, oferece os mais variados ajustes, encosto de cabeça bem posicionado, acesso agradável à globalidade dos comandos (mesmo que os da porta do condutor e da consola central um pouco altos), mas também uma visibilidade traseira a pedir a ajuda dos sensores para estacionamento atrás. Que, infelizmente, só estão disponíveis através da lista de opcionais…

    Para este primeiro contacto com o renovado Volkswagen Tiguan calhou-nos em sorte a motorização mais desejada pelos condutores português e que tem por base o conhecido 2.0 TDI na sua versão menos potente (110 cv) e com tecnologia mais amiga do ambiente, a que a marca alemã deu a designação de Bluemotion.

    Aplicado num conjunto com mais de tonelada e meia (1.537 kg) mas ainda assim beneficiado (no capítulo financeiro, bem entendido…) pelo facto de não possuir sistema 4x4, mas apenas uma vulgar tracção dianteira (facto que, só por si, garante um “desconto” de quase cinco mil euros!), o 2.0 TDI de 110 cv e um binário máximo de 280 Nm disponíveis logo às 1750 rpm permite ao Tiguan anunciar uma velocidade máxima de 174 km/h, com passagens dos 0 aos 100 km/h em 11,9 segundos e consumos em trajecto combinado de 5,3 l/100 km, com emissões de CO2 de 139 g/km. Com apenas os consumos a deixarem-nos a sensação de algum optimismo em demasia, já que, ao nosso serviço, o SUV alemão nunca conseguiu baixar dos 7,5 l/100 km… mesmo com o contributo de um bom e suave sistema Start&Stop.

    Com acelerações que não envergonham, uma progressão suave e linear e recuperações igualmente aceitáveis (melhores até do que, por exemplo, a insonorização), o bloco escolhido, que prefere centrar as suas qualidades em aspectos como os consumos e as emissões de CO2, conta ainda com importante ajuda da caixa manual de seis velocidades, de relações longas mas também muito agradável na utilização, à qual se junta uma direcção com boa adaptação à velocidade e razoável feedack e precisão, mas também um sistema de travagem competente e à altura das necessidades. Sem esquecer aquele que é actualmente outro dos bons atributos dos automóveis da marca do duplo V – o comportamento salutar.

    Sem abdicar da garantia de conforto para todos os ocupantes, o novo Volkswagen Tiguan evidencia o mesmo pisar mais firme e agradavelmente informativo já conhecido de outros modelos da marca, embora, muito por culpa da altura do conjunto, impossível de levar ao entusiasmo do condutor, já que trajectos mais sinuosos, cumpridos a velocidades mais elevadas, frequentemente obrigam a um rápido levantar do pé do acelerador, sob pena de uma entrada mais frequente em acção do controlo de estabilidade, para manter a situação nos eixos e sobre rodas!

    Embora sem nunca perder a compostura… ou a segurança, o novo Tiguan prefere andamentos mais descansados a atitudes ao volante mais agressivas e temerárias, tal como prefere claramente o alcatrão a trajectos mais aventureiros e de transposição mais complicada, estando mais vocacionado para aventuras, por exemplo, em estradões de terra do que por caminhos de cabras onde a falta da tracção integral, entre outros argumentos, facilmente acabarão por conduzir a momentos mais delicados ou até mesmo constrangedores. Como, por exemplo, regressar a casa de reboque, naquele que poderá ser considerado como um knock-out logo no primeiro assalto…

    Fonte: Diario Digital PT
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