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  • Dobradinha: Avaliação Volkswagen Touareg V6 e V8 RLine

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    O povo Touareg habita principalmente o deserto do Saara, numa vasta área que se estende desde o extremo sudoeste da Líbia até o sul da Argélia, Níger, Mali e Burkina Faso. A sociedade Touareg tem tradicionalmente caracterizado membros do clã, status social e hierarquias de castas que controlavam várias rotas comerciais trans-saarianas.

    O Volkswagen Touareg é o primeiro utilitário esportivo de porte grande produzido pela VW e foi desenvolvido em parceria com a Porsche. O modelo é produzido na Slovakia e exportado para vários paises, inclusive o Brasil.

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    O principal publico consumidor deste carro é de classe alta, ou seja, membros do clã, pois parte de 328 mil e pode chegar aos 400 mil Reais. Sei que nesta faixa de preço existem outras opções tão interessantes como esta, por este motivo, pretendo nesta avaliação destacar o diferencial deste carro diante das outras opções do mercado. O VW Touareg, principalmente na versão V8 Rline é um Robert Bruce Banner e que a qualquer momento pode se transformar em um incrível Hulk!!! Muito discreto, mas se preciso for, se transforma em um mostro poderoso.

    Ter um Porsche Cayenne que seja discreto é quase impossível, por onde andar com um será visto por todos. Usando o Touareg no dia a dia, percebemos o quanto ele oferece em status, também oferece em discrição. Com o Touareg da para chegar ou sair sem ser tão notado se preferir. Mas se você for do tipo que prefere ser visto por todos sempre, opte por um Audi Q7 ou um Porche Cayenne.

    Tive a oportunidade de usar uma semana cada modelo, sendo o V6 e o V8 Rline. O V6 na cor azul característico da VW e o V8 Rline na cor branco perolizado. O V6 apesar da cor vibrante não causou tantos movimentos de "virar o pescoço". Já o V8 Rline conseguiu mais atenção em virtude do ronco do V8 que é maravilhoso e não tem como não chamar atenção. Andando sem acelerar, só no embalo ninguém olha.

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    Devo explicar porque acredito ser um diferencial que o Touareg não é um carro que chama tanta atenção. A questão é que eu estava embarcado em veiculo de luxo acima de 300 mil reais sem me sentir amedrontado, como acontece infelizmente quando estamos rodando em veículos de alto valor, a primeira coisa que pensamos é na segurança. O Touareg é um veiculo luxuoso que não cresce o olho gordo alheio, entende? Diferente de um Porche,, Audi e Mercedês.

    Como pude andar nas duas versões, acho bacana também abordar a diferença entre um e o outro modelo, desta forma se tiver em duvida por qual dos dois escolher, talvez facilite sua escolha.

    O primeiro modelo que recebi foi o V6, então vou contar um pouco minha impressão sobre ele. Fato importante a ser levado em conta é que quando recebi o Touareg V6, eu tinha acabado uma avaliação de uma semana do Jeep Compass Trailhalk, então minha sensação instantânea foi de ter entrado em um carro pesado e largo demais para o transito de São Paulo.

    Com o decorrer dos dias fui me acostumando e passei a conviver melhor com seu tamanho e desenvolvimento no transito. A aceleração tinha um delay pequeno, mas tinha. Ao afundar o pé no acelerador a resposta é vigorosa e o consumo acreditei que estava dentro do esperado para um V6 de 280 cv com mais de 2 toneladas. Na cidade registrou média de 5 km/l, na rodovia 7 km/l. Infelizmente não consegui testá-lo no off road, ficará para uma próxima oportunidade.

    No segundo dia de uso, passei sobre uma enorme e grossa chapa de aço que estava cobrindo provavelmente um enorme buraco na rua. Quando o veiculo sentiu o impacto que nem foi nada absurdo, tencionou o cinto de segurança me travando contra o banco. Seus vários sensores entendeu que poderia ser um risco de colisão e me segurou mais forte. Os bancos encaixam muito bem o corpo, inclusive as laterais de costas e pernas. Neste momento, percebi o quanto o carro era inteligente e seguro. Tem tanta tecnologia embarcada que eu precisaria de no mínimo mais uma semana para conseguir testar tudo.
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    O motor é um 3.6L V6 FSI com 280 cv e 37 kgfm entregue em 2.900 rpm. O cambio é um Tiptronic de 8 velocidades e a tração é 4Motion. As rodas de 19" são calçadas com pneus 265/50, ou seja, pneus para asfalto e estepe de emergência. Pelo consumo deste motor é normal ter um tanque de grande capacidade, para que tenha uma boa autonomia, são 100 litros. As dimensões são: Comprimento 4.795 mm, distancia entre eixos 2.893 mm, largura 1.940 mm e 1.709 de altura.

    O interior é claro e suja com facilidade. Os bancos traseiros bi-partido com ajuste longitudinal e inclinação do encosto, podem ser destravados facilmente pelas teclas no porta malas. O conforto dos bancos é algo a exaltar, quatro pessoas viajam em primeira classe. No banco do motorista tem um pequeno, porém, privado nicho na parte baixa do assento entre as pernas. Para os dias frios, os dianteiros são aquecidos. Para os dias de calor, o ar condicionado digital é bi-zone. Se o sol estiver de frente e as vezes de lado, não tem problema, os parassóis são duplos com iluminação e espelho. O porta-luvas possui tranca e saída de ar condicionado. Sobre o painel existe também outro nicho aveludado, ótimo para óculos ou pequenos objetos que não devem riscar.

    O radio possui dvd, mp3, navegação, bluetooth e comando de voz. Dentro do baú do console central havia um cabo para Ipod, porém com conexão antiga. Já a qualidade de som entregue é fantástica, são 8 auto-falantes Dynaudio (opcional) que entregam sem distorção os agudos e bem menos suntuosos os graves, priorizando uma definição mais clássica. Faróis bi-xenon direcionais com leds e regulagem dinâmica do facho.
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    A versão testada estava com todos os opcionais sistema de som Premium Dynaudio confidence com amplificador digital de 12 canais e 620w, ACC, Side assist, teto solar elétrico panorâmico skyview e o fabuloso área view (conjunto de quatro câmeras com sobre visão).

    O preço desta versão V6 com todos os acessórios opcionais chega próximo dos 350.000 e o seguro entre 10.000 e 15.000 dependendo do perfil. Será que alguém compra este carro para por na trilha? Talvez não aqui no Brasil, mas o proprietário deste carro pode se aventurar tranqüilamente por estradas de terra, barro ou areia sem nenhuma dificuldade, o Touareg não deixará a desejar no quesito 4x4.

    Já o V8 Rline é uma versão amplificada de tudo que tem no V6 e mais um pouco. Confesso que me apaixonei pelo V8, obvio? Talvez pelo ronco do V8 ser mais nervoso e menos beberrão, superando as medias do irmão V6. Na cidade registrou média de 7 km/l, na rodovia incríveis 11 km/l e no off road 5km/l. Média muito boa para um motor V8 4.2L FSI com 360 cv e 45,4 kgfm de torque entregues em 3.500 rpm combinado com o mesmo cambio tiptronic de oito marchas do irmão e tração 4Motion.

    Um item diferente do seu irmão V6 é a suspensão pneumática. Com três regulagens de altura pré definidas e de fácil acesso no console central, é possível deixar a suspensão no modo: conforto, normal e esportiva. Já na configuração off road a suspensão enche toda e sobe nas alturas, aumentando ainda mais a capacidade no fora de estrada. Este é sem duvida o mais empolgante item que faltou no V6. Suspensão pneumática tem muito mais pontos positivos que negativos, mas muitas pessoas ainda tem medo do custo de manutenção.

    Para testar a aptidão aventureira do Touareg, fomos até a super pista off road do Quality Resort de Itupeva, espaço gentilmente cedido para o teste.

    Estava chovendo no dia do teste o que colocou uma pitada de aventura a mais, mas o Touareg se transformou num monstro quando aquele motorzão V8 em reduzida e suspensão elevada encarou os obstáculos, tudo ficou fácil. Fiquei imaginando o quanto ficaria divertido se estivéssemos com pneus mud. Um tanque de guerra. O controle de estabilidade e de descida foram imprescindíveis e confortantes por tê-los em alguns momentos. Pena as imagens não expressarem a emoção a bordo.

    O ar condicionado desta versão é de 4 zonas e o interior é escuro. O banco do motorista tem 3 posições de memória. Aquecimento no volante. Detector de fadiga, bloqueio eletrônico de diferencial e abertura e fechamento do porta malas elétrico. As rodas de 20" são calçadas com pneus 275/45, com perfil mais baixo e com as rodas maiores, diminui a capacidade de tração na lama. A chave é larga assim como o carro.

    Resumindo, os dois modelos são ótimos, luxuosos e prazerosos, mas o V6 não faz o coração quase saltar pela boca, já o V8 parece uma paixão juvenil, não da vontade de sair de perto e vale cada centavo dos quase 400.000 reais na versão Rline. Por 50.000 a mais, você leva o motor mais potente e econômico. Suspensão pneumática, porta malas elétrico e vários outros detalhes, isso sem contar a personalização Rline que confere ainda mais elegância. Só quem já experimentou esse carro é quem pode dizer sobre ele, eu experimentei e adorei. E você, esta esperando o que para testá-lo?

    Texto e fotos: Flávio Verna